Covid-19: com 180 mil mortes, Brasil ultrapassa o "pior cenário possível"

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12 de dezembro de 2020

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O que no início era projetado como o "pior cenário possível", a chegada a 180 mil mortes por Covid-19, se tornou realidade ontem, quando o Brasil alcançou 180.437 óbitos pela doença.

A projeção havia sido feita por Luiz Henrique Mandetta quando ele era ministro da Saúde, ainda entre março e abril passados.

Já o número de pessoas infectadas chegou a 6.836.227.

Pandemia em aceleração no país

Entre os dias 10 e 11 foram registrados 54.428 novos casos de Covid em todo Brasil, sendo que há três (03) dias as novas contaminações não baixam de 50 mil por dia, o mesmo ritmo de contaminação registrado entre julho e agosto passados.

O número crescente de infecções se reflete na situação dos hospitais, com diversas capitais brasileiras à beira do colapso. Campo Grande, inclusive, já trabalha há dias acima de sua capacidade, sem leitos de UTI disponíveis. Já em Florianópolis 96% dos leitos UTI estavam lotados no dia 10 passado, enquanto que em Boa Vista esta ocupação chegava a 95%.

A nova aceleração da pandemia é chamada de "segunda onda" e foi prevista pela Wikinotícias em meados de novembro, no final da campanha política das eleições municipais no Brasil, quando outros veículos de imprensa nacionais ainda estavam reticentes em avaliar a situação desta forma.

Responsabilidades

"Este era um cenário que eu falei para o presidente [Bolsonaro] que se ele continuasse com o negacionismo e se a população não tivesse liderança, era o nosso pior cenário. Nós tínhamos que enfrentar isso unidos. O nosso adversário era o coronavírus", disse Mandetta ontem em entrevista à Globonews.

Mandetta também revelou que fez "questão de colocar no papel, documentar, comunicar a todos os ministros e entregar em mãos ao presidente que aquele negacionismo iria custar muito caro para a vida dos brasileiros".

À Globonews ele também disse que o cenário continuará ruim em 2021, já que não haverá vacinas para todos. "Prevenção mais do que nunca agora, porque esse vírus vai continuar circulando".

Especialistas cobram medidas mais enérgicas

Em nota, Rubens Belfort Jr., presidente Academia Nacional de Medicina (ANM), publicou ontem que "manifesta enorme indignação pelo descaso, descuido e negligência por parte das autoridades governamentais e das classes políticas que seguem omissas e servis a interesses eleitorais, menosprezando a vida dos cidadãos". (...) "O negacionismo irresponsável de muitos gestores e políticos precisa cessar já".

"Há necessidade imediata de implementação de exemplos e de medidas de proteção individual e coletiva, controlando-se o risco aumentado pelas atividades recreativas e sociais, atualmente descontroladas pela falta de liderança", diz Belfort também na nota.

Diversos estados e cidades "afrouxaram" as medidas de distanciamento social nos últimos meses, inclusive para permitir a campanha política entre outubro e novembro, o que está, em parte, por trás da segunda onda no Brasil.

Além disto, os governos também não quiseram decretar novas medidas enérgicas, como a de lockdown, para não prejudicar ainda mais a Economia do país, ainda que algumas regiões estejam em situação crítica, como está acontecendo no Rio Grande do Sul, que colocou duas áreas em bandeira preta, a de situação gravíssima, o que acontece pela primeira vez no estado desde o início da pandemia.

Bolsonaro e o negacionismo

Bolsonaro, que já chegou a dizer que a pandemia no Brasil seria só uma "gripezinha" e que quem tinha "histórico de atleta" como ele não precisaria se preocupar com a gravidade da doença, além de defender a cloroquina como cura para a doença, se envolveu em nova polêmica esta semana enquanto visitava o Rio Grande do Sul.

Tudo aconteceu durante um discurso, quando, além de dizer que o país havia sido pouco afetado [economicamente] pela pandemia, ele também disse que "estamos vivendo um finzinho de pandemia”.

A fala foi duramente criticada por autoridades e pela imprensa, já que o aumento de casos e mortes no mundo todo, principalmente nos Estados Unidos, Europa e Brasil, indicam o contrário do que o presidente do Brasil expressou. O SinSaúde-RN (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado do Rio Grande do Norte), por exemplo, divulgou um release em seu website analisando esta e outras falas e posturas do presidente durante a pandemia, o que chamou de "política genocida de Bolsonaro".

Só nos Estados Unidos, por exemplo, o país vem batendo seu próprio recorde de mais de 3 mil mortes/dia durante toda esta semana.

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