Covid-19: Ministério da Saúde russo fala da falta de dados sobre a vacina Sputnik V

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5 de janeiro de 2021

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A decisão de registrar a vacina Sputnik V foi tomada levando em consideração sua alta eficiência, disse Viktor Fisenko, vice-ministro da Saúde da Rússia. O regulador também recebeu dados sobre a segurança da tecnologia adenoviral, que especialistas do Centro Acadêmico N.F. Gamaleya usaram para criar o imunizante.

Segundo o vice-ministro, esta medida foi "absolutamente justificada", pois permitiu garantir a proteção dos russos contra a covid-19 em pouco tempo.

“Os reguladores estrangeiros dos Estados Unidos, União Europeia e Grã-Bretanha seguiram um caminho semelhante: o uso das vacinas da Pfizer, Moderna e AstraZeneca para vacinação generalizada está acontecendo junto com os testes clínicos em andamento”, explicou Fisenko. Ele observou que no momento a segurança e eficácia da Sputnik V são monitoradas adicionalmente usando dados do registro federal de pessoas vacinadas.

Anteriormente, a presidente do Comitê Nacional de Vacinação da Grécia, a professora de Pediatria Maria Theodoridou, disse que a Rússia e a China mostraram coragem e correram o risco de fazer uma vacinação em larga escala com um imunizante com testes incompletos. Alexander Gintsburg, diretor do Gamaleya, respondeu dizendo que a droga foi "mais do que" testada e que os desenvolvedores de vacinas ocidentais estavam seguindo o caminho da Rússia.

Segundo Gintsburg, mais de um milhão de russos já foram vacinados contra a covid e nenhuma nova reação adversa ao medicamento foi detectada.

A Sputnik V

A vacina Sputnik V foi a primeira a ser registrada pelo Ministério da Saúde da Rússia em meados de agosto. Criada pelo laboratório Gamaleya, ela usa a tecnologia do vetor de adenovírus humano. No verão russo, ela passou por dois estágios de pesquisa em voluntários com idades entre 18 e 60 anos, que eventualmente desenvolveram resposta imunológica e anticorpos para o Sars-Cov-2. Os testes de pós-registro estão sendo concluídos.

Em um futuro próximo, os russos terão a oportunidade de ser vacinados contra o coronavírus com outra droga doméstica, a EpiVacKorona, desenvolvida pelo Novosibirsk Scientific Center Vector. Outras vacinas russas também estão sendo desenvolvidas.

Problema: falta de transparência e credibilidade

Apesar da fala do vice-ministro comparando a Sputnik com outras vacinas - citadas acima - o imunizante russo não teve qualquer dado da fase 3 dos testes revelado antes do registro, o que foi criticado até pela OMS. O motivo da pressa, segundo especialistas, é para que ela pudesse ser conhecida como "a primeira a ser registrada no mundo". Até agora, fora a Rússia, apenas a Argentina comprou e usou doses do produto.

A falta de dados e a constante não observância das fases de testes da vacina fizeram com que Tarik Jasarevic, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, dissesse que "a pré-qualificação de qualquer vacina inclui a revisão e avaliação rigorosa de todos os dados de segurança e eficácia exigidos. Não se pode usar uma vacina ou medicamentos sem passar por todas essas etapas, tendo cumprido todas essas etapas", numa clara crítica ao governo russo.

Na Argentina, após o início da vacinação emergencial em final de dezembro de 2020, a farmacêutica argentina Sandra Pitta, do Conicet, chegou a dizer: "não me vacinaria jamais porque não tenho informação. Tudo o que gira em torno da Sputnik V é muito pouco transparente. Não há dados. A biografia é escassa".


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