Covid-19: 15% dos cientistas receberam ameaças de morte, aponta estudo da Nature

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17 de outubro de 2021

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Uma pesquisa da revista científica Nature com 321 cientistas que deram entrevistas à mídia sobre covid-19 revelou que 15% deles receberam ameaças de morte e 22% receberam ameaças de violência física ou sexual. Entre estas vítimas está até o médico Anthony Fauci, chefe do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, que recebeu reforço policial para sua segurança pessoal depois que ele e sua família receberam ameaças de morte no ano passado.

A maioria dos ataques, no entanto, se direcionou a minar a credibilidade destes profissionais, sendo que esta taxa se aproximou dos 60%.  

Impactos

Cerca de 92% dos cientistas que participaram do estudo, disseram que ao menos algumas vezes já pensaram em não dar mais entrevistas à imprensa. “Isso já pode ter um efeito assustador na comunicação científica”, enfatizou a Nature.

Outros tiveram impactos sobre sua saúde mental e revelaram ter tido sentimentos ruins sobre a perseguição, como a médica Krutika Kuppalli, da Universidade Médica da Carolina do Sul de Charleston, que após ser ameaçada em 2020 disse recentemente, enquanto depunha no Senado dos Estados Unidos, que ficou “ansiosa, nervosa e chateada”.

No Brasil

Provavelmente o caso mais conhecido – e emblemático – no Brasil seja o de ameaças à cientistas ligados à Fiocruz que conduziram o estudo CloroCovid-19, sobre o tratamento da doença com cloroquina. Em abril de 2020, após os primeiros resultados serem insatisfatórios e os relatórios iniciais serem divulgados, vários estudiosos foram ameaçados, entre eles o chefe da pesquisa, o médico Marcus Vinícius de Lacerda. "Ele precisou andar com escolta armada depois que ele e outros pesquisadores receberam ameaças de morte porque o estudo indicou que o medicamento não apenas era ineficaz como poderia apresentar riscos aos pacientes infectados pelo novo coronavírus", diz uma matéria divulga no website da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) de abril passado.

À época, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) criticou as ameaças, emitindo um comunicado onde se lê que "a Academia Brasileira de Ciências entende não ser justificáveis quaisquer ameaças físicas e morais a qualquer um dos pesquisadores do grupo".

No mesmo sentido, também a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) lamentou os ataques numa Nota de Repúdio, escrevendo que "vem a público repudiar com veemência os ataques que vêm sendo feitos ao cientista Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda" e que "entende que os ataques sofridos pelo Dr. Guimarães de Lacerda e seu grupo são infundados e frutos de intenções outras que não sejam a cura e o desenvolvimento científico".

Fontes


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