Cisjordânia vive pior crise econômica em décadas, agravada por bloqueio fiscal de Israel e queda do turismo
2 de janeiro de 2026
A Cisjordânia mergulhou em uma recessão profunda devido à queda das receitas, às retenções de impostos por Israel e ao colapso do turismo. Os vencimentos dos servidores públicos foram cortados, o consumo caiu drasticamente e diversos setores essenciais estão paralisados.
De acordo com vários relatórios, a situação agora ameaça o funcionamento das próprias instituições da Autoridade Palestina. Na Cisjordânia ocupada, a economia alcança sua pior fase desde a formação da Autoridade Palestina, em 1994. Isso é apontado por uma pesquisa realizada pelo Escritório Palestino de Estatísticas (PCBS) e pela Autoridade Monetária Palestina (PMA).
Enquanto o PIB de Gaza despencou 84% em 2025 em comparação a 2023, na Cisjordânia ocupada a retração foi de 14% no mesmo intervalo de tempo. Segundo especialistas palestinos, a economia atingiu um ponto tão crítico que isso pode comprometer a continuidade das instituições estatais e sua habilidade de desempenhar funções básicas. Ademais, as dívidas se acumulam.
Israel coleta os impostos sobre importações destinados aos territórios palestinos em nome da Autoridade Palestina, porém costuma reter uma parte desses valores, utilizando-os como ferramenta política. Mohammed al-Amour, o ministro da Economia da Palestina, se refere a "punição coletiva".
Ele afirma que Israel está retendo US$ 4,5 bilhões em receitas fiscais das autoridades palestinas. A Autoridade Palestina se encontra em um impasse porque essas receitas constituem a maior parte de sua arrecadação. Os constantes atrasos no pagamento dos salários dos funcionários diminuíram o poder de compra das famílias e agravaram a redução do consumo interno.
O Território Palestino Ocupado está passando pela pior crise econômica de sua história, com Gaza enfrentando um colapso “sem precedentes e catastrófico”, de acordo com um novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) divulgado em 2025.
Durante o lançamento do Relatório de 2025 da UNCTAD sobre a Economia do Território Palestino Ocupado, o Secretário-Geral Adjunto da agência, Pedro Manuel Moreno, declarou que décadas de limitações à mobilidade, somadas às mais recentes operações militares, "aniquilaram décadas de progresso". Como resultado, tanto Gaza quanto Cisjordânia enfrentam uma devastação prolongada.
"O que vemos hoje é extremamente preocupante", afirmou ele, e que "Gaza está passando pelo colapso econômico mais rápido e devastador já registrado".
Fontes
[editar | editar código]- ((pt)) Cisjordânia vive pior crise econômica em décadas, agravada por bloqueio fiscal de Israel e queda do turismo — Universo Online, 2 de janeiro de 2026
- ((en)) Gaza facing worst economic collapse ever recorded, UN trade agency warns — ONU, 25 de novembro de 2025

