China sobe o tom e adverte os Estados Unidos sobre bloqueio naval contra o Irã
15 de abril de 2026
Dois dias após os Estados Unidos anunciarem o fechamento de todos os portos iranianos e do Estreito de Ormuz — rota marítima responsável por 20% do petróleo produzido globalmente —, a China intensificou sua oposição à ação. Wang Yi, o ministro das Relações Exteriores da China, alertou que a interrupção da navegação no estreito não é do interesse coletivo da comunidade internacional. O responsável pela diplomacia de Pequim também exigiu de Estados Unidos, Israel e Irã um "cessar-fogo completo e duradouro".
Por outro lado, Guo Jiakun, porta-voz da chancelaria de Pequim, descreveu o bloqueio americano como "irresponsável e perigoso" e ele alertou que a manobra "minaria o frágil acordo de cessar-fogo", não apenas expõe a segurança das embarcações ao perigo. "A China acredita que somente alcançando um cessar-fogo abrangente e pondo fim à guerra poderemos criar, fundamentalmente, as condições para aliviar a situação no estreito", afirmou Guo.
O jornal The New York Post informou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descarta a possibilidade de iniciar uma nova série de negociações com Teerã em Islamabad. O presidente da Casa Branca indicou que as próximas conversas devem iniciar ainda nesta semana. Trump fez essa declaração durante uma entrevista telefônica a um jornalista de Islamabad, capital do Paquistão, e que "eles deveriam ficar lá, realmente, porque algo pode acontecer nos próximos dois dias e estamos mais inclinados a ir para lá".
Na terça-feira (14), três navios que saíram de portos iranianos cruzaram o Estreito de Ormuz sem enfrentar qualquer ameaça. Após descarregar milho no porto iraniano de Bandar Imam Khomeini na segunda-feira (13), às 13h (horário de Brasília), o graneleiro com bandeira liberiana Christianna atravessou o estreito. Outro navio, o petroleiro Elpis, de bandeira comorense, realiza a travessia no mesmo horário. Nas primeiras 24 horas do bloqueio, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que impediu a saída de seis embarcações dos portos do Irã.
A ação, que se seguiu ao fechamento efetivo do Irã da estreita passagem marítima em resposta aos ataques aéreos conjuntos entre Estados Unidos e Israel, iniciados em 28 de fevereiro, colocou em risco o frágil cessar-fogo de duas semanas e fez com que os preços do petróleo, já em alta, subissem ainda mais. A China, principal importadora de petróleo iraniano, sentirá de forma significativa o bloqueio aos navios e ao petróleo do Irã.
Durante uma reunião em Pequim com autoridades dos Emirados Árabes Unidos na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, declarou que o fechamento do Estreito de Ormuz "não serve aos interesses comuns da comunidade internacional".
Fontes
- ((pt)) China sobe o tom e adverte os EUA sobre bloqueio naval contra o Irã — Correio Braziliense, 15 de abril de 2026
- ((en)) Iran war: US blockade of Hormuz tests China's restraint — DW, 15 de abril de 2026


