Caseiro diz que Antonio Palocci freqüentava mansão em Brasília onde ocorria festas e partilha de dinheiro

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17 de março de 2006

Brasil

O caseiro Francenildo dos Santos Costa, ou Nildo, repetiu nesta quinta-feira (16) para a CPI dos Bingos a sua entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo na terça-feira (14). Nildo disse que o Ministro da Fazenda Antonio Palocci freqüentava uma casa alugada por um ex-assessor quando ele era prefeito de Ribeirão Preto. O depoimento do caseiro, somado ao depoimento feito anteriormente pelo motorista Francisco das Chagas, é contrário àqulio que Palocci dissera à comissão. O ministro repetidas vezes disse que não ia esta casa, nem tinha intimidades com os freqüentadores dela, todos seus ex-assessores em Ribeirão Preto.

O Ministro da Fazenda Antonio Palocci. Foto: Marcello Casal/Abr.

O caseiro Francenildo trabalhava na casa em questão, uma mansão, localizada no Lago Sul, em Brasília. Ela teria sido alugada pelos ex-assessores de Antonio Palocci: Roberto Buratti, Ralf Barquete e Vladimir Poleto. O grupo, também conhecido como República de Ribeirão Preto, é acusado pela polícia e Ministério Público de ter participação em fraudes e desvios de dinheiro público. Francenildo disse com bastante convicção que Antonio Palocci freqüentava a casa e que era amigo dos seus moradores. Ele disse que na casa ocorria reuniões, festas, churrascos e encontros com mulheres.

A residência seria usada também como local para partilha de dinheiro que chegava numa mala. O caseiro disse que o Ministro Antonio Palocci costumava chegar no começo da noite, por volta das 18h30, num automóvel Peugeot prata e sair de lá depois das 22h. Segundo o caseiro, o ministro guiava o automóvel e vinha ora sozinho, ora acompanhado por seu assessor no Ministério da Fazenda. Pelo menos numa ocasião, de acordo com o caseiro, o ministro veio acompanhado com uma mulher.

A reunião da CPI dos Bingos para ouvir o caseiro Francenildo dos Santos Costa começou no início da tarde, por volta das 14h, depois de uma calorosa discussão entre os membros da comissão. A bancada do governo pressionou para que a sessão fosse secreta porque o depoimento do caseiro poderia revelar detalhes da vida pessoal e privada do Ministro Antonio Palocci. Contudo o Presidente da CPI, Senador Efraim Morais (PFL), confirmou a realização da sessão aberta. As primeiras perguntas respondidas pelo caseiro foram feitas pelo relator da CPI Senador Garibaldi Alves Filho (PMDB). O relator quis saber se Francenildo confirmava as declarações que ele fez para o Estado de S. Paulo. A resposta dele foi afirmativa. Em seguida foi dada a palavra para os outros senadores. Fizeram perguntas a Senadora Heloísa Helena (PSOL) e o Senador Álvaro Dias (PSDB).

Contudo o depoimento do caseiro não durou mais do que 40 minutos. Um oficial de justiça entregou um documento do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinava o encerramento da sessão para o Presidente da CPI Senador Efraim Morais (PFL) . A determinação, concedida pelo ministro do STF Cezar Peluso, corresponde a uma liminar requerida pelo Senador Tião Viana (PT), em mandado de segurança impetrado na parte da manhã, que suspende o depoimento do caseiro Francenildo Santos Costa à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos até o julgamento final do mérito da causa. O depoimento do caseiro foi suspenso sob protestos de parte dos membros da CPI. O Presidente da CPI solicitou proteção da segurança do Senado e da Polícia Federal para o caseiro Francenildo dos Santos Costa e este retirou-se do recinto.

O depoimento do caseiro

A seguir algumas das principais declarações do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

  • Ministro da Fazenda Antonio Palocci: o caseiro disse que o ministro foi mais de 20 vezes à mansão em Brasília. Ele chegava à tardinha, guiando um Peugeot prata. O caseiro disse que chegou a conversar com o ministro numa ocasião através do interfone. O caseiro disse que numa ocasião viu o ministro chegar durante o dia para uma partida de tênis com um dos outros freqüentadores da casa.
  • O "chefe": segundo o caseiro, Antonio Palocci costumava ser tratado pelo apelido de "chefe" pelos donos da casa, todos ex-assessores de Palocci em Ribeirão Preto: Roberto Buratti, Ralf Barquete e Vladimir Poleto.
  • Festas: Francenildo disse que pelo menos duas vezes por semana havia uma festa na mansão.
  • Reuniões secretas: O caseiro disse que não pôde testemunhar o que era disto nas reuniões, que ocorriam a porta fechadas no interior da mansão.
  • Dinheiro em mala: segundo o caseiro, algumas vezes o grupo se reunia na casa para dividir uma quantia de dinheiro em espécie, que vinha numa mala.
  • Dinheiro em envelope: Francenildo disse que numa ocasião acompanhou o motorista Francisco das Chagas para entregar um envelope cheio de dinheiro para um assessor do Ministro da Fazenda Antonio Palocci.
  • Mulheres: o caseiro disse que prostitutas visitavam a mansão. Numa ocasião o Ministro Antonio Palocci teria vindo acompanhado de uma. Segundo o caseiro, Rogério Buratti (que tinha grande amizade com Palocci, segundo o caseiro) teria entrado em desavença com o ministro da Fazenda por causa de ciúmes de uma das garotas que freqüentava a casa.
  • Um empresário do setor de jogos de bingo, de origem portuguesa ou angolana, conhecido como "Caio", foi visto na mansão pelo caseiro. O empresário é suspeito de ter feito uma doação ilegal de R$ 1 milhão para o Partido dos Trabalhadores (PT), o qual foi usado na campanha do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

Ver também

Multimédia

Fontes

  • TV Senado, acompanhado ao vivo, dia 16 de março de 2006.