CPI dos Correios do Brasil disse que vai ouvir doleiro preso

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Brasil • 16 de agosto de 2005

Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios que investiga fraudes nos Correios e o mensalão disse que pretende interrogar Antonio Oliveira Claramunt, conhecido como "Toninho da Barcelona". Oliveira é doleiro, isto é: compra e venda dólares no mercado paralelo. Ele está preso, condenado por efetuar transações financeiras ilícitas. Ele disse que tem informações sobre operações financeiras do Partido dos Trabalhadores (PT). O seu depoimento é um dos mais aguardados da semana.

Segundo a revista brasileira Veja, Toninho escreveu a seus familiares dizendo conhecer algumas transações financeiras ilegais envolvendo o Partido dos Trabalhadores (PT) e que gostaria de falar sobre o assunto. Toninho afirmou em uma de suas cartas que o PT envia dinheiro para fora do país desde 1989 e que as remessas aumentaram depois de 1990.

Toninho foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Farol da Colina que foi deflagrada após suspeitas levantadas pela CPI do Banestado. A CPI investigava a suposta remessa ilegal de no mínimo US$ 100 bilhões para o exterior pelo banco Banestado de Foz do Iguaçu.

Depois de julgado, Toninho foi considerado culpado e condenado a 25 anos de prisão por realizar operações financeiras ilegais. Sabe-se que ele usava contas numa instituição bancária de Nova York conhecida como Beacon Hill. Ele cumpre pena em Avaré, cidade do interior do estado de São Paulo, numa penitenciária de segurança máxima.

Toninho alega que logo que o deputado Roberto Jefferson começou a fazer as primeiras denúncias sobre o mensalão, ele solicitou à direção da penitenciária para dar uma entrevista. Segundo Toninho, após o pedido ele foi transferido para outra prisão, isolada e de alta segurança no interior de São Paulo. Os advogados do doleiro dizem que ele foi transferido porque sabe demais.

A revista Veja disse que Toninho afirmou em uma de suas cartas que o PT envia dinheiro para fora do país desde 1989. De acordo com o doleiro, as remessas aumentaram depois de 1990 e passaram a se concentrar no Trade Link Bank

O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB) informou que o Ministério da Justiça está à procura de informações no exterior, a partir das informações dadas na semana passada pelo publicitário Duda Mendonça. Serraglio disse que conversou com a procuradora Raquel Branquinho e ela auxiliará a comissão em uma perícia nos dados da contabilidade das empresas de Marcos Valério. O objetivo é verificar até que ponto os empréstimos que o empresário diz ter feito para repassar ao PT são verdadeiros.

Segundo o sub-relator de Sistematização e Controle, deputado Carlos Sampaio (PSDB), já está nas mãos da CPI um organograma da Secretaria Nacional de Justiça, que lista todas as empresas que depositaram na Dusseldorf. A Dusseldorf é uma off-shore das Bahamas citada por Duda Mendonça e que segundo ele alega teria sido usada, a pedido de Valério, para receber dinheiro referente ao pagamento dos serviços de publicidade prestados ao PT na campanha de 2002, que elegeu Lula.

Depoimento de doleiro será em Delegacia de Polícia em São Paulo

Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios definiu na manhã de terça-feira (16) detalhes de como será o depoimento do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona.

Ficou definido que o depoimento ocorrerá na sede da Delegacia Geral de Polícia, na Avenida Brigadeiro Tobias, na cidade de São Paulo. Os parlamentares já viajaram para São Paulo e esperam ouvir Toninho por volta das 15 horas.

Segundo a CPI, os parlamentares que irão ouvir Antonio Oliveira Claramunt são: deputado Osmar Serraglio (PMDB), senador Delcídio Amaral (PT), relator e presidente da CPI, respectivamente; entre os senadores: Demostenes Torres (PFL), Alvaro Dias (PSDB), Romeu Tuma (PFL), Heloisa Helena (PSOL) e Ideli Salvatti (PT); entre os deputados: Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL), Eduardo Paes (PSDB), Carlos Abicalil (PT), Luiz Eduardo Cardozo (PT), Arnaldo Faria de Sá (PTB), Pompeo de Mattos (PDT), Geraldo Thadeu (PPS), Maurício Rands (PT).

Outros depoimentos

A CPI dos Correios decidiu que irá ouvir os doleiros Haroldo Bicalho e Jader Kalid. Ficou decidido que também deverão ser ouvidos o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato e o ex-ministro e atual chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência, Luiz Gushiken. O depoimento de Gushiken deve ficar para a próxima semana.

Fontes