CPI da Covid: "era constrangedor", diz ex-ministro Mandetta sobre recomendações de Bolsonaro sobre uso da cloroquina

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4 de maio de 2021

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A CPI da Covid ouviu, durante o dia de hoje, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, para investigar ações do próprio ministério e do governo federal no combate à pandemia de covid-19 no Brasil no início de 2020.

O depoimento pode ser acessado aqui.

Depoimento a Renan Calheiros

Renan Calheiros, relator da Comissão, pediu informações, entre outras coisas, sobre o uso da cloroquina para combater a doença. "Era constrangedor", disse Mandetta, sobre a posição contrário do presidente Jair Bolsonaro às orientações da pasta, que não indicava o uso do medicamento. Mandetta também explicou que o medicamento só serve para tratar malária e que nunca acreditou que a subtância pudesse servir para solucionar a pandemia no mundo.

Inquirido sobre se a pasta deu orientações sobre a pandemia ao presidente Jair Bolsonaro, ele disse: "O presidente compreendia (...), mas dois ou três dias depois voltava atrás".

"Lembro dele sempre questionar a cloroquina e que adotaria o confinamento vertical. Ele tinha provavelmente outra fonte, porque o ministério nunca dava informações fora da cartilha da OMS", opinou o ex-ministro.

Inquirido também sobre quem poderiam ser os conselheiros do presidente, Mandetta disse que várias vezes foi a reuniões ministeriais onde o filho de Bolsonaro "que é vereador do Rio de Janeiro" (Carlos Bolsonaro) estava presente, tomando notas. Ele também disse que houve uma pressão do governo federal para a mudança da bula da cloroquina, que deveria passar a ter a informação sobre ser indicada para tratar covid, mas que o próprio presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, que foi indicado para o cargo pelo presidente, foi contra.

A última pergunta foi sobre sua saída da pasta. "Eu jamais pediria demissão (...) no meio de uma epidemia, eu tinha um paciente doente (...) mas acho que o presidente não gostou (...) e achou melhor ter outro ministro (...) que ficou 20, 30 dias e depois encontrou outro ministro com quem ele teve melhor afinidade. O meu compromisso era com o Brasil, mas não negociaria os valores e a formação que eu tenho".

Depoimento a Randolfe Rodrigues

Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI, iniciou perguntando quais eram os adversário às medidas de combate à pandemia, solicitando mais informações sobre a presença de Carlos Bolsonaro nas reuniões. Mandetta começou explicando sobre as dificuldades com o ministro da Relações Exteriores e outro filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, já que ambos causavam mal-estar nas relações com a China, enfatizando que o Brasil dependia da compra de insumos do país asiático.

Indagado sobre a atuação do STF, que delegou aos estados a decisão de medidas como lockdown, Mandetta disse que foi completamente regular e esperado.

Perguntado sobre se a pandemia teria tido outro resultado no Brasil se a atuação do governo federal tivesse sido diferente, ele disse que houve um impacto pela falta de unidade, já que o vírus ataca todas as áreas da sociedade, como Educação e Economia. "Quanto à tragédia, sim, o Brasil podia mais; o SUS podia mais", disse.

Outras oitivas

As oitivas seguiram, com perguntas sendo feitas ao longo do dia pelos demais membros da Comissão.

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