COVID-19: no Brasil, Ministério da Saúde volta atrás e retoma divulgação dos dados fornecidos pelas Secretarias Estaduais

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9 de junho de 2020

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Depois de um impasse de três dias, após anunciar na sexta-feira passada que não exibiria mais os dados gerais da pandemia de COVID-19 no Brasil e dizer que faria uma recontagem porque as Secretarias Estaduais da Saúde estariam aumentando o número de mortes e casos para ter “mais orçamento”, o Ministério da Saúde (MS) mudou de tática e hoje voltou a mostrar os números totais da pandemia - óbitos, casos ativos e curados - além dos registrados apenas nas 24 horas anteriores.

A mudança aconteceu após fortes críticas, tanto no Brasil como no exterior, e após as Secretarias, através do CONASS, lançarem no domingo, dia 07, seu próprio painel com os dados.

Os números atuais e as estimativas

Por volta das 18 horas, pouco depois do CONASS, o MS anunciou que entre os dias 08 e 09 de junho houve 1.272 mortes, o que eleva o total de casos fatais para 38.406. O órgão também divulgou que atualmente ainda há mais de 390 mil pessoas em tratamento, o que indica que a taxa diária de óbitos ainda deve se manter elevada, acima de mil, ao menos nos próximos dias.

Entenda a polêmica

O presidente Jair Bolsonaro vinha, há semanas, querendo que o MS encontrasse uma forma “mais positiva” de mostrar a pandemia no Brasil. Inicialmente, com a entrada do militar Eduardo Pazuello na chefia do MS, o título da notícia oficial passou a citar somente a cifra de recuperados, sendo que o número de óbitos e novos casos passou a ser divulgado apenas no final do texto. Além disto, o MS também passou a publicar as informações no website somente após as 22 horas, para, segundo Bolsonaro, acabar “com matéria no Jornal Nacional”.

Além disto, um dia antes da mudança proposta pelo MS, o presidente Donald Trump, de quem Bolsonaro é aliado, criticou abertamente a estratégia do Brasil na condução da pandemia. “São tempos duros no Brasil”, disse, acrescentando que se os Estados Unidos tivessem agido como o país latino, sem impor o confinamento, cerca de 2,5 milhões de estado-unidenses poderiam ter morrido de COVID.

Presidente do CONASS diz que números poderiam ser até maiores após recontagem

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Alberto Beltrame, disse hoje durante uma entrevista para um programa de TV que “o que está ocorrendo é uma divergência de registros de óbitos, do que notifica no dia e o que é dado anterior. Eu tenho sugerido ao ministro Pazuello que adote uma curva logarítmica de dados, que quando a gente notifica um óbito de dias atrás, vai para a data efetiva da morte. Essa é uma das confusões. Nós do CONASS lançamos uma plataforma para dar luz à informação. O dado não é do Estado, não é do governo, é do povo brasileiro”. “Se fosse feita uma revisão dos números, provavelmente seriam maiores do que os que existem”, disse ainda.

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