COVID-19: após uma semana de uso, cloroquina se prova ineficaz e óbitos sobem no Brasil

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28 de maio de 2020


Após 07 dias de uso – o chamado “Protocolo da Cloroquina” foi expedido no dia 20 de maio – as substâncias cloroquina e hidroxicloroquina não conseguiram reduzir as mortes por Sars-CoV-2 no Brasil. Eram 18.859 óbitos no dia 20 e ontem, dia 27, o Ministério da Saúde (MS) noticiou 25.598 óbitos, o que significa, portanto, uma média de 962 fatalidades/dia neste período. Na semana anterior, inclusive, a média foi menor, pois entre os dias 13 e 20 de maio as fatalidades/dia foram de 815.

Segundo o “Protocolo da Cloroquina”, os pacientes devem receber o medicamento durante cinco dias, o que deveria ter feito os óbitos diminuírem esta semana, ao menos nos últimos dois dias. No entanto, só do dia 26 para o dia 27 houve 1.086 vítimas fatais da COVID-19 no país. O recorde de mortes/dia até agora foi entre os dias 20 e 21 deste mês: 1.088 óbitos.

Estudos – um feito no Amazonas, com ajuda da Fiocruz, há cerca de um mês e outro publicado pela revista The Lancet dias atrás – já indicavam que os medicamentos não tinham efeitos positivos no tratamento de COVID-19, podendo, inclusive, segundo o estudo da The Lancet, piorar a condição do paciente devido a sua propensão a causar problemas no coração.

Por que a cloroquina foi "oficializada" no Brasil?

Depois de Donald Trump fazer uma referência à cloroquina durante uma coletiva de imprensa há cerca de dois meses, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro “comprou” a ideia e fez o mesmo, tendo inclusive anunciado que as farmácias do Exército passariam a produzir o remédio. No entanto, não havia, já na época, nenhum estudo aprovado pela OMS ou qualquer outra instituição importante que avalizassem o tratamento.

Apesar disto, as substâncias já estavam há semanas à disposição dos médicos para uso em casos graves ou críticos, o que não impediu as mortes no Brasil. Só de 27 de abril a 27 de maio, por exemplo, 21.055 brasileiros morreram devido à COVID-19.

Estima-se que até o protocolo ser aprovado, o Exército já tivesse produzido cerca de 1,5 milhões de comprimidos de cloroquina, que até o dia 20 passado estavam “encalhados”, uma vez que os médicos e associações médicas eram enfáticos em dizer que o uso generalizado não era indicado.

Já Bolsonaro continuava pensando diferente, tendo perdido dois ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, ambos médicos, em menos de 30 dias, devido, principalmente, à pressão para que os ministros aprovassem o “Protocolo da Cloroquina”. O documento foi finalmente aprovado após a saída de Teich, quando Eduardo Pazuello, militar sem qualquer outra formação, assumiu a pasta como ministro interino.

No documento divulgado pelo MS, que indica o uso até para os casos de COVID considerados leves, há, porém, um aviso claro de que a cloroquina e a hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada contra o vírus Sars-CoV-2. Já no Termo de Compromisso que deve ser assinado pelo paciente ou um familiar, o MS se isenta, como isenta a qualquer profissional da saúde, de qualquer responsabilidade sobre reações adversas que possam surgir com o uso das substâncias.

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