Burkina Faso já tem novo presidente; Blaise Compaoré e seus familiares estão exilados na Costa do Marfim

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Blaise Compaoré deixou a Presidência formalmente ontem e partiu ao exílio com seus familiares ao Costa do Marfim.

Agência Brasil

1 de novembro de 2014

Burkina Faso

O número dois da guarda presidencial de Burkina Faso, o tenente-coronel Isaac Zida, anunciou hoje (1º) que assumiu as responsabilidades de chefe de Estado de transição. O anúncio foi feito após o chefe de Estado, Blaise Compaoré, ter confirmado sua demissão, para permitir a realização de eleições em 90 dias.

Isaac Zida assume os destinos do país para “assegurar a continuidade do Estado”, numa “transição pacífica e democrática”. Em discurso transmitido pela televisão, Zida classificou de “caducas” as declarações do chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, o general Nabéré Honoré Traoré, que tinha revelado ontem (31) ter assumido interinamente a presidência.

O líder do regime de transição em Burkina Faso, o tenente-coronel Isaac Zida, anunciou, em nota, a reabertura das fronteiras aéreas, fechadas desde sexta-feira. As fronteiras terrestres continuam fechadas.

Exílio[editar]

A Presidência da Costa do Marfim confirmou hoje (1º) que o presidente demissionário de Burkina Faso, Blaise Compaoré, está exilado no país desde que pediu demissão do cargo, em meio aos protestos que exigiam a sua saída. “O presidente da República informa à população da Costa do Marfim e à comunidade internacional que o presidente Blaise Compaoré, sua família e parentes próximos foram acolhidos pelo país”, diz comunicado.

O presidente demissionário chegou à Costa do Marfim nessa sexta-feira (31) à noite. Falando em nome do presidente costa-marfinense, o chefe de gabinete Alassane Ouattara, que divulgou o comunicado, manifestou-se muito preocupado pela crise que Burkina Faso atravessa. “O presidente da República espera que esse país irmão regresse, o mais rapidamente possível, à paz e à estabilidade”, acrescenta.

Histórico[editar]

Esta semana, Burkina Faso viveu grave crise socio-política, depois que Compaoré decidiu promover uma alteração constitucional, permitindo-lhe continuar na chefia do Estado, função que assumiu em 1987, na sequência do golpe de Estado em que morreu o presidente Thomas Sankara.

As manifestações cresceram e intensificaram-se em todo o país na quinta-feira (27). Na capital, centenas de pessoas assaltaram e incendiaram o Parlamento, em protesto contra a votação da alteração constitucional permitindo o prolongamento do mandato de Compaoré.

Horas depois do ataque do Parlamento, Compaoré desistiu desse projeto de lei, mas no final da tarde, os militares anunciaram que o presidente pediu demissão do cargo depois de três dias de protestos violentos nas ruas do país exigindo a sua saída, após 27 anos no poder.

Compaoré justificou sua demissão com “a degradada situação socio-política e a ameaça de divisão dentro do Exército”, depois das grandes manifestações de cidadãos e da oposição exigindo sua saída.

Desde a independência da França, em 1960, até a posse de Compaoré (que chegou ao poder também protagonizado golpe de Estado contra Sankara) a história do Burkina Faso, antes conhecido como Alto Volta, caracterizou-se por uma sucessão de golpes de Estado.

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Fontes[editar]

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