Brasil e Bolívia assinam acordos nas áreas de defesa e transporte

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Evo Morales em 1 de setembro de 2017.
Foto: Presidencia de Perú/PR.

Agência Brasil

Michel Temer em 12 de setembro de 2017.
Foto: Jane de Araújo/Agência Senado.

5 de dezembro de 2017

Durante visita oficial, nesta terça-feira (5), do presidente da Bolívia, Evo Morales, ao presidente Michel Temer, representantes dos dois países assinaram acordos para combate ao crime organizado e também na área de transporte.

Na área de segurança, foi assinado um acordo de cooperação policial para prevenção e combate ao crime organizado transnacional e qualquer outra manifestação criminosa. O objetivo é estabelecer cooperação policial para prevenir e combater também crimes como terrorismo, tráfico de pessoas, de entorpecentes e de armas de fogo, roubo de veículos, lavagem de dinheiro, crimes cibernéticos e delitos comuns de fronteira.

Foi assinado também um memorando sobre o corredor ferroviário bioceânico de integração, com o objetivo de criar condições para ampliar o tráfego ferroviário entre o Brasil e a Bolívia.

Antes da assinatura dos acordos, Temer e Morales reuniram-se com ministros do Brasil e da Bolívia. Do Palácio do Planalto, os presidentes e as comitivas seguiram até o Palácio do Itamaraty, sede do Ministério de Relações Exteriores (MRE), para almoço oferecido em homenagem a Morales.

De acordo com o MRE, a visita de Morales tem ainda o objetivo de fortalecer a coordenação bilateral em temas como energia, desenvolvimento fronteiriço, integração da infraestrutura física, temas migratórios e consulares, comércio e investimentos.

O presidente boliviano vem ao Brasil também com interesses comerciais relacionados à venda de gás natural. A Bolívia quer expandir seus parceiros comerciais de gás e vender o excedente de produto que não está sendo consumido atualmente pela Petrobras, comprador do gás boliviano, apesar da nacionalização boliviana feita em 2006. A intenção já havido sido manifestada pelo país vizinho no início do ano.

Atualmente, o Brasil é o maior parceiro comercial da Bolívia. É também o principal mercado de destino das exportações bolivianas (19%). Em 2016, o intercâmbio bilateral alcançou US$ 2,8 bilhões. A pauta de exportações brasileiras para a Bolívia é diversificada e composta principalmente de manufaturados.

Histórico[editar]

A visita e a mudança de discurso do Evo Morales ao Brasil é alvo de polêmica em ambos países. Entre 2015 a 2016, em meio a maior crise enfrentada por Brasil em mais de 100 anos, Evo Morales (junto com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro) foi um dos críticos do processo de impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, que enfrentava três crises ao mesmo tempo em seu governo (política, econômica e social) e a maior reprovação em seu governo (71 % de reprovação e 12 % de aprovação), que superou aos Protestos de 2013, que caiu de 55% para apenas 32%, que não impediu ser reeleita em 2014 com 51% dos votos.

Em 17 de abril de 2016, horas antes da Câmara dos Deputados do Brasil (a Câmara Baixa no Congresso Nacional, o Parlamento brasileiro), ter autorizado o processo de impeachment, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu três ônibus com bolivianos que viriam para Brasília, que iriam nas manifestações contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Em 18 de abril, os presidentes da Venezuela (Nicolás Maduro) e da Bolívia criticaram duramente o processo que mais tarde, afastaria Dilma Rousseff em 12 de maio pelo Senado do Brasil, mas poupando os direitos políticos dela em 31 de agosto. Na época, o mandatário boliviano manifestou-se nas redes sociais e classificou o processo que levou o afastamento da primeira mulher eleita pra presidente no Brasil de “golpe”, o mesmo discurso discurso do mandatário venezuelano, que insinuou sem provas, que de ela fora afastada por ordem do “imperialismo americano ianque”, em referência aos Estados Unidos, que na época, o presidente era Barack Obama.

A mudança do discurso do mandatário boliviano é uma tentativa da Bolívia em manter boas relações com o novo governo sob Michel Temer, após incidente diplomático em 2016, pois o país depende dos consumidores brasileiros nas fronteiras. Além da Bolívia, países vizinhos do Brasil sentiram os efeitos da crise econômica nas cidades fronteriças, ao sofreram queda brutal em suas economias com a crise iniciada em 2015. De acordo com assessor próximo ao Temer, a ideia do encontro partiu do país vizinho e a visita tem um efeito simbólico.

A visita havia sido marcada para ocorrer nas últimas semanas, mas foi adiada duas vezes, ambas por questões envolvendo a saúde de Temer. Na primeira, que aconteceria em 30 de outubro, foi adiada porque Temer precisou se submeter a uma cirurgia urológica para desobstrução da uretra. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República na época já havia divulgado a visita de Morales na agenda de Temer, sendo cancelada posteriormente. O encontro foi, então, remarcado para a última semana de novembro, mas o presidente foi submetido a uma angioplastia no coração no dia 24, ficando internado até o dia 27, quando aconteceria a visita já remarcada do presidente boliviano.

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Fontes[editar]

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