Brasil: governo federal reage à matéria da The Economist que diz que país precisa "se livrar" de Bolsonaro

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7 de junho de 2021

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A Secom, Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, fez ontem à noite uma série de 23 postagens no Twitter criticando uma matéria da revista The Economist divulgada no sábado no jornal O Estado de São Paulo (Estadão). No texto, que resumia uma matéria publicada pela revista na semana passada, opinando que o Brasil precisava "se livrar" de Jair Bolsonaro nas próximas eleições, a publicação criticou a apologia feita pelo presidente ao Golpe Militar logo depois de ser eleito; a presença dos militares em seu governo, principalmente na área da Saúde; a política de demarcação e proteção das terras indígenas; os "ataques descarados" à democracia e a política de proteção da Amazônia. A The Economist também afirmou que o crescimento brasileiro "está estagnado" e que "milhões de pessoas passam fome".

"A revista The Economist enterra a ética jornalista e extrapola todos os limites do debate público, ecoando no artigo 'É hora de ir embora' algumas das narrativas mais falaciosas, histriônicas e exageradas da oposição ao Governo Federal", dizia o primeiro tuíte. No tuíte 2, a Secom afirmou que o objetivo da revista é "atacar o Presidente da República e influenciar os rumos políticos do Brasil".

Na continuidade, a Secretaria tentou explicar o porquê da revista estar errada, afirmando por exemplo que o governo brasileiro "decretou Estado de Emergência em Saúde Pública antes mesmo de a OMS decretar pandemia", "investiu mais do que a média dos países emergentes no combate à covid, que preservou milhões de vidas, que está entre os cinco a garantir autossuficiência na produção de vacinas e que é hoje um dos países que mais vacina sua população", "instituiu o Auxílio Emergencial, um dos maiores programas sociais do mundo" e "apesar de toda a crise global, vê sua economia voltar já aos níveis pré-covid, com o PIB crescendo acima das expectativas e com geração ininterrupta de empregos".

No entanto, apesar das defesas feitas pela Secom, várias destas declarações são, no mínimo, contestáveis:

  • Bolsonaro é um crítico ferrenho do distanciamento social, uso de máscaras e vacinação anti-covid-19, medidas defendidas pela OMS e adotadas na maioria dos países, promovendo aglomerações constantemente desde o início da pandemia e falando abertamente que não se imunizará, o que, para muitos, inclusive alguns dos senadores que conduzem CPI da Covid, pode ter piorado a situação da pandemia no país;
  • o Brasil não é um dos que mais vacina contra covid-19 no mundo e apesar de estar em 3º no número absoluto de doses aplicadas, imunizou apenas 10% de sua população com duas doses de uma vacina contra covid até agora. Bolsonaro, inclusive, negou ainda em 2020 que o Ministério da Saúde compraria a vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan;
  • Bolsonaro tampouco foi um grande incentivador da extensão do Auxílio Emergencial, argumentando que nenhuma atividade deveria ser interrompida devido à pandemia, o que faria com que as pessoas continuassem a trabalhar e a Economia a funcionar normalmente. Especialistas em Saúde, no entanto, afirmam que a volta à normalidade não é possível enquanto a pandemia não estiver sob controle no país.

O Aos Fatos, que faz checagem de fake news, reportou no dia 02 passado que "em 883 dias como presidente, Bolsonaro deu 3.087 declarações falsas ou distorcidas".

As declarações falsas do presidente já o levaram a ser chamado de "mentiroso" diversas vezes nos últimos meses, tanto pela imprensa brasileira, como nas redes sociais.

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