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Brasil: ONU está 'preocupada' com chance de Estados Unidos não darem visto a ministros de Lula

De Wikinotícias

15 de setembro de 2025

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Nessa segunda (15), o porta-voz do Secretário Geral da ONU, Antonio Guterres, declarou que está acompanhando com "preocupação" as informações de que autoridades brasileiras ainda não obtiveram visto para visitar a sede da Organização em Nova Iorque. Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral.

Há mais de dois meses, Brasil e Estados Unidos enfrentam uma crise nas relações bilaterais, que resultou na revogação dos vistos de autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF e membros do governo Lula, pelo governo Trump. Esse é o caso do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que não possui visto desde 2024 e recebeu uma restrição do governo dos Estados Unidos devido à sua participação no programa Mais Médicos.

Trump justificou as ações alegando um aparente "caça às bruxas" judicial contra Jair Bolsonaro, que foi recentemente condenado por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, além das decisões do STF a respeito das big techs. A tensão, neste momento, coloca em risco a formação da equipe de Lula que deveria acompanhá-lo à ONU.

"Esperamos que os vistos sejam emitidos. Como enfatizamos aqui no caso de outra delegação, a Palestina, o Acordo de Sede entre os Estados Unidos e a [ONU] exige que os Estados Unidos, nosso governo anfitrião, facilitem a viagem aos Estados Unidos de pessoas que tenham negócios com esta organização", disse Stephane Dujarric, porta-voz de Guterres na ONU.

O governo Trump já declarou que não permitirá a entrada de autoridades palestinas. O Brasil não recebeu o mesmo tratamento. A coluna apurou que pode haver problemas na emissão, porém é provável que todos os vistos sejam liberados no último momento.

Lula embarca para Nova Iorque no sábado (20) para participar de encontros diplomáticos e da cerimônia de abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), agendada para o dia 23 de setembro.

"A gente tem indicação do governo americano que os [vistos] que ainda não foram concedidos estão em vias de processamento. Não tenho como especular sobre qual vai ser o resultado desse processamento. Inclusive, é uma prerrogativa soberana dos Estados Unidos a concessão de vistos ou não. Ainda que no caso dos vistos para ir à ONU exista uma obrigação claramente estabelecida no acordo de sede que obrigada os Estados Unidos a conceder esses vistos", afirmou Marcelo Marotta Viegas, diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, em entrevista a jornalistas.

No entanto, o diplomata afirmou que, se o governo dos Estados Unidos não emitir os vistos, estará descumprindo o acordo com a ONU, e disse que "o que não quer dizer que ela [a violação] não ocorra. De qualquer forma, não temos porque achar que os Estados Unidos não seguirão e não observarão suas obrigações legais com relação à concessão de vistos".

Em 13 de agosto, o presidente Donald Trump (republicano) impôs sanções contra ele por ter liderado o programa Mais Médicos durante o governo de Dilma Rousseff. Naquele período, o programa contratou profissionais cubanos para trabalhar no Brasil. Como Padilha estava com o visto expirado, a punição não teve consequências práticas. Porém, os vistos de sua esposa e filha foram cancelados.