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Borboleta-branca-da-Madeira marca extinção da primeira borboleta europeia

De Wikinotícias

16 de novembro de 2025

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A Pieris wollastoni agora está extinta

Durante dois anos, uma equipe de entomólogos da Butterfly Conservation Europe realizou buscas intensivas em toda a ilha da Madeira. Subiram picos montanhosos, desceram vales profundos, percorreram o Maciço Vulcânico Central, o planalto do Paúl da Serra ou ainda as grandes falésias como o Cabo Girão, a maior da Europa.

Os especialistas procuravam a borboleta-branca-da-Madeira (Pieris wollastoni), mas o esforço foi em vão. Percorreram a ilha inteira e não encontraram nada. A espécie está agora oficialmente desaparecida, se tornando a primeira borboleta europeia classificada como globalmente extinta. Vista pela última vez em maio de 1977, já tinha sido descrita como extinta em 2008 por uma equipe portuguesa de micologistas, o que agora é oficial.

Risco de extinção

A confirmação é um “marco trágico” do colapso da biodiversidade do país – lamentou em comunicado a Rewilding Portugal, advertindo não se estar diante de um caso isolado, e, se nada mudar, avisa a organização ambiental, as extinções tornar-se-ão cada vez mais frequentes.

Em Portugal, há 17 as espécies de borboletas classificadas como ameaçadas ou quase ameaçadas na Lista Vermelha das Borboletas da Europa, continente onde um quarto das espécies (125 espécies) está ameaçada ou quase ameaçada. A Lista Vermelha das Borboletas da Europa atualizada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) avaliou um total de 442 espécies – seis estão criticamente em perigo, 35 estão em perigo e 24 com estatuto vulnerável.

Mas a situação é ainda mais séria no caso das endémicas, com quase 40% das espécies ameaçadas ou quase ameaçadas. Uma delas é a borboleta cleópatra-da-Madeira (Gonepteryx maderensis), catalogada como em perigo de extinção. Outra é a borboleta-azul-das-turfeiras (Phengaris alcon), avaliada em Portugal como em perigo, mas como quase ameaçada a nível europeu.

Degradação de habitats, provocada pela intensificação da agricultura, do pastoreio ou drenagem de regiões úmidas são algumas das grandes causas, mas a principal ameaça da última década são as mudanças climáticas, com um relatório da UICN concluindo que 52% (34 espécies) de todas as espécies em risco na Europa estão ameaçadas pelas alterações climáticas, uma percentagem que deverá aumentar nos próximos anos.