Barril de petróleo Brent atinge maior valor desde o início da guerra no Irã
29 de abril de 2026
O mercado de energia tem demonstrado crescente ceticismo quanto à possibilidade de uma resolução rápida para o conflito entre os Estados Unidos e Irã. Na quarta-feira, o preço do Brent atingiu seu ponto mais elevado desde 2022, ano em que teve início o conflito na Ucrânia. Isso ocorreu na mesma semana em que o prêmio de risco do barril de petróleo começou a cair, em meio à expectativa de um cessar-fogo.
Há pouco mais de duas semanas, os Estados Unidos e Irã declararam um cessar-fogo, levando o mercado a acreditar na possibilidade de uma resolução diplomática para o conflito. Como resultado, o prêmio de risco do barril de petróleo caiu para cerca de US$ 90. Embora esse nível ainda seja extremamente alto em comparação com o início do conflito, estaria abaixo dos recordes registrados desde o começo da guerra.
Entretanto, um impasse nas negociações levou os investidores a reintroduzir o prêmio de risco na commodity. Essa situação se intensificou depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os americanos manterão o bloqueio naval contra os portos iranianos, uma ação que pode ser interpretada como uma tentativa de trazer os iranianos de volta às negociações.
O barril de petróleo Brent encerrou o dia acima de US$ 118, com valores próximos a US$ 122 após o fechamento das negociações à vista. Isso se deve ao ceticismo do mercado, ao bloqueio do Estreito de Ormuz e ao impasse diplomático. Essa foi a oitava sessão seguida de valorização da commodity, a maior sequência em quase quatro anos.
"O bloqueio é um pouco mais eficaz do que os bombardeios. Eles estão engasgando como um porco recheado. E vai piorar para eles. Eles não podem ter uma arma nuclear", declarou Trump ao Axios, sem fornecer detalhes sobre possíveis ações militares futuras.
Nesta terça-feira (28), o preço do petróleo aumentou novamente devido à incerteza nas negociações para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O barril Brent, referência internacional, registrou um aumento de 2,72%, sendo negociado a US$ 104,48 nos contratos para julho. O contrato com o menor prazo de vencimento, previsto para junho, foi negociado a US$ 111,22.
Além das dúvidas em relação ao estreito de Ormuz, as negociações foram influenciadas pelo anúncio dos Emirados Árabes Unidos de que se retirarão da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a partir de sexta-feira (1).
A alta acentuada demonstra a inquietação dos investidores em relação à ausência de acordo entre Irã e Estados Unidos. O banco Goldman Sachs declarou que o valor pode atingir US$ 120 caso o conflito continue.
Na segunda-feira (27), a Casa Branca anunciou que está avaliando a sugestão do Irã de reabrir o estreito de Ormuz, rota de 20% da produção global de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, os dois países estão bloqueando o tráfego na área e comprometendo o fornecimento do produto.
De acordo com a agência de notícias Bloomberg, a situação levou a Aramco, uma das maiores empresas do setor no mundo, a comunicar aos seus clientes que não fornecerá o GLP (gás liquefeito de petróleo) programado para o mês de maio. O fornecimento de gás de cozinha foi suspenso pela empresa no dia 28 de fevereiro, após suas instalações em Juaymah serem atacadas por mísseis iranianos.
Fontes
- ((pt)) Barril de petróleo Brent atinge maior valor desde o início da guerra no Irã — Valor Econômico, 29 de abril de 2026
- ((pt)) Petróleo sobe para US$ 104 com espera por negociação entre EUA e Irã — Folha de São Paulo, 28 de abril de 2026


