Austrália diz que dará apoio legal a fundador do WikiLeaks preso em Londres

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
O ministro das Relações Exteriores, Kevin Rudd.

Agência Brasil

9 de dezembro de 2010

O ministro das Relações Exteriores da Austrália, o ex-primeiro-ministro Kevin Rudd, afirmou ontem (8) que seu país dará ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, o mesmo apoio legal que daria a qualquer cidadão australiano com problemas na Justiça de outro país. Assange foi preso ontem (7) no Reino Unido, após se apresentar à Justiça e deve enfrentar um processo de extradição para a Suécia, onde é acusado por crimes sexuais contra duas mulheres.

Assange e o site WikiLeaks vêm sofrendo uma forte pressão internacional, principalmente por parte dos Estados Unidos, desde que começaram a divulgar, na semana passada, um pacote de mais de 250 mil comunicações diplomáticas secretas americanas. Kevin Rudd afirmou que Assange não "é pessoalmente responsável" pela divulgação dos documentos. "Os americanos são responsáveis por isso", afirmou.

"Acho que há questões importantes a serem feitas sobre a adequação dos sistemas de segurança (dos Estados Unidos) e o nível de acesso que as pessoas têm a esse material", disse. "A responsabilidade principal, e portanto responsabilidade legal, está com os indivíduos responsáveis por esse vazamento inicial." Rudd afirmou ainda que somente a Justiça poderá dizer se Assange é culpado de algo.

"Ele está certo em ter a expectativa e a presunção de inocência em relação às questões pelas quais foi levado à Justiça na Grã-Bretanha e deveria obter todo o apoio que normalmente daríamos a qualquer outro australiano nas circunstâncias de comparecer em juízo diante das autoridades legais de qualquer outro país", afirmou o ministro.

Assange vem criticando a posição da Austrália desde o início da divulgação dos documentos. Em um artigo publicado hoje pelo jornal The Australian, ele acusou o governo australiano de "se vender vergonhosamente" aos Estados Unidos e de colocar seus serviços à disposição do governo americano. "O procurador-geral da Austrália está fazendo tudo o que pode para ajudar uma investigação americana com o objetivo claro de atingir cidadãos australianos e extraditá-los aos Estados Unidos", disse.

No artigo, intitulado Não mate o mensageiro por revelar verdades desagradáveis, ele afirma ainda: "As sociedades democráticas precisam de uma mídia forte, e o WikiLeaks é parte dessa mídia. A mídia ajuda a manter o governo honesto".

A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, que ocupou o posto em junho, havia classificado anteriormente a divulgação dos documentos secretos americanos por Assange como "altamente irresponsável".

O governo americano também classificou a divulgação de "irresponsável" e disse que ela é "um ataque contra a comunidade internacional". Os Estados Unidos iniciaram uma investigação criminal sobre o caso e prometeram punir os responsáveis pelos vazamentos dos documentos. Ninguém foi indiciado pelo vazamento até agora, mas as suspeitas caíram sobre o analista de inteligência do Exército americano Bradley Manning, que já havia sido preso em junho passado sob acusação de entregar dados confidenciais ao WikiLeaks.

O ministro das Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, disse que não teve contatos com autoridades americanas sobre uma possível extradição de Assange da Suécia para os Estados Unidos. O advogado de Assange, Mark Stephens, afirmou que as acusações contra seu cliente na Suécia são "politicamente motivadas".

Fontes

Compartilhe essa notícia: Shared via Email Compartilhe via Facebook Tweet essa reportagem Compartilhe via Google+ Compartilhe via LinkedIn Compartilhe via Digg.com Compartilhe via Newsvine Compartilhe via Reddit.com Share on stumbleupon.com Compartilhe via Technorati