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As 'múmias' de dinossauros revelam como a espécie de bico de pato teria sido

De Wikinotícias

29 de novembro de 2025

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Em um novo estudo publicado na revista Science, cientistas da Universidade de Chicago descreveram como, há 66 milhões de anos, os corpos de Edmontosaurus annectens, um dinossauro de bico de pato, tornaram-se 'múmias' de dinossauros que preservavam seus cascos e escamas em detalhes incríveis. Em um processo chamado templação por argila, a superfície carnuda externa do dinossauro era preservada sobre seu esqueleto após ser enterrado em uma fina camada de argila, que não tinha mais que 1/100de polegada de espessura.

A equipe usou várias técnicas para reconstruir como o dinossauro teria sido em vida, incluindo uma crista alta no pescoço e no tronco, uma fileira de espinhos ao longo da cauda e cascos que cobririam os dedos.

"É a primeira vez que temos uma visão completa e detalhada de um dinossauro grande na qual realmente podemos nos sentir confiantes", disse o autor sênior Paul Sereno, PhD, Professor de Biologia e Anatomia Orgsmística na UChicago. "As terras áridas em Wyoming onde as descobertas foram feitas são uma 'zona múmia' única que traz mais surpresas a partir de fósseis coletados ao longo de anos de visitas de equipes de estudantes universitários."

Usando fotos históricas e investigações de campo, a equipe mapeou uma 'zona de múmias' de dinossauros que compreendia vários sítios em Wyoming onde múmias famosas foram descobertas no iníciodo século XX. Eles encontraram e escavaram duas novas múmias de Edmontosaurus das areias do rio, que tinham grandes áreas de pele preservada.

Serano explicou que múmias de dinossauro não são as mesmas que as múmias preparadas por humanos encontradas no Egito, pois não resta material orgânico. A pele e os cascos das múmias dos dinossauros são preservados como um filme de argila submilimétrica, que se forma no corpo morto do animal após o enterro.

"Isto é uma máscara, um modelo, uma camada de argila tão fina que você poderia soprar para fora," disse Sereno. "Foi atraído para o exterior da carcaça em um evento fortuito de preservação."

A equipe utilizou ferramentas de imagem como tomografias hospitalares e micro-CT, espectroscopia de raios X, seções finas, análises de argila e análises do local da descoberta para entender como esse tipo especial de preservação ocorreu. As descobertas sugeriam que, após o corpo do dinossauro secar ao sol, uma enchente repentina o cobriu rapidamente, e um biofilme em sua superfície teria extraído eletrostaticamente a argila do sedimento, criando uma camada molde muito fina que preservava a superfície em 3D. Depois disso, o material orgânico do dinossauro teria decomposto e seu esqueleto teria fossilizado.

Expor a argila macia e fina exigiu horas de preparação cuidadosa, liderada pelo gerente do Laboratório de Fósseis, Tyler Keillor, que também é coautor do artigo. Uma equipe de pesquisa liderada por Evan Saitta, pesquisador de pós-doutorado, utilizou imagens 3D de superfície, tomografias computadorizadas e pegadas para reconstruir a anatomia e caracterizar o sedimento de dentro e fora da múmia. Artistas digitais ajudaram a equipe a reconstruir como seria o dinossauro e como ele teria se movido.

"Acredito que vale a pena dedicar um tempo para montar uma equipe dos sonhos a fim de gerar ciência que possa ser apreciada pelo público em geral", disse Sereno. "Nunca conseguimos ver a aparência de um grande réptil pré-histórico como este — e bem a tempo do Halloween."

Usando as duas novas múmias, os cientistas reconstruíram um perfil completo de Edmontosaurus annectens.

"Os dois espécimes se complementavam lindamente", disse Sereno. "Pela primeira vez, pudemos ver o perfil inteiro em vez de manchas espalhadas."

A equipe descobriu que os dinossauros tinham uma linha média contínua que começava como uma crista ao longo do pescoço e tronco e depois evoluía para uma única fileira de espinhos descendo pela cauda. A parte inferior do corpo e a cauda tinham grandes escamas poligonais, enquanto a maioria das outras escamas era minúscula e semelhante a pedrinhas, medindo apenas de 1 a 4 milímetros.

As patas traseiras dos dinossauros tinham cascos, com cada dedo sendo encapsulado, e tinham uma base plana como a de um cavalo. Os pesquisadores usaram tomografias computadorizadas dos pés da múmia e imagens 3D de uma pegada do mesmo período para combinar as duas, de modo a reconstruir como os pés seriam. As patas dianteiras tocariam o chão apenas usando os cascos; no entanto, as patas traseiras tinham uma almofada carnuda no calcanhar localizada atrás dos cascos.

"Existem tantos 'primeiros' incríveis preservados nessas múmias de bico-de-pato — os cascos mais antigos documentados em um vertebrado terrestre, o primeiro réptil com cascos confirmado e o primeiro animal de quatro patas com cascos diferentes, com postura diferente dos membros anteriores e posteriores", disse Sereno.

O estudo oferece um conjunto de ferramentas para pesquisas futuras sobre a anatomia mole dos dinossauros, incluindo métodos de preparação, um fluxo de trabalho de imagem do fóssil ao modelo da carne e um léxico claro para escamas e estruturas moles. A equipe também sugere buscas direcionadas por espécimes semelhantes em Wyoming e uma análise complementar de onde e quando ocorre a templação em argila.

"Este pode ser o melhor artigo que já lancei", disse Sereno. "Do campo ao laboratório e às reconstruções 3D, junto com um conjunto de termos úteis definidos, é uma obra magistral, e conta uma história coerente sobre como esses fósseis notáveis surgiram e o que podemos aprender com eles."