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Artigo em destaque: insônia digital na adolescência

De Wikinotícias

14 de dezembro de 2025

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Não se trata de impressão, mas de um fato: os adolescentes de hoje estão dormindo menos do que o recomendado, que é de oito a dez horas de sono. Em vez disso, estão dormindo, em média, seis horas e meia por noite. A culpa, segundo Luli Radfahrer, é do tempo que passam nas telas do celular – ou nas redes sociais ou em maratonas de jogos, quando não em séries de streaming, num consumo digital compulsivo. A equação é simples: quanto mais smartphone, menos sono. “Não é coincidência, é uma combinação explosiva. O conteúdo é infinito, sem ponto de parada, os algoritmos que aprendem exatamente o que prende e toda a pressão social para estar on-line. E, além de tudo, tem a luz azul, que literalmente suprime os hormônios do sono. Antigamente, a escuridão impunha o sono. Sem luz artificial, o ritmo humano se alinhava com o pôr do sol. Daí veio a luz elétrica, mas, mesmo assim, a programação da TV acabava, o videogame estava num console compartilhado na sala e até mesmo os livros exigiam uma energia mental que, eventualmente, deixava você com sono. Os smartphones eliminaram todas essas restrições. Agora, o entretenimento é infinito”, diz o colunista.

Ainda segundo ele, ficar acordado até tarde, consumindo conteúdo, virou símbolo da identidade adolescente. “É a cultura da produtividade invadindo a juventude; e não adianta o pai insistir para ele dormir cedo, se nem mesmo o pai respeita essa restrição. É mais ou menos como pedir para o filho comer verdura, se você não come. Não adianta restringir o uso se o adulto não dá o exemplo.” Claro que, ao ser submetido à perda diária de horas de sono, o corpo acaba pagando o preço. “É a primeira geração cujo cérebro é alterado pela privação crônica de sono durante a janela de desenvolvimento mais crítica da vida. As pessoas privadas de sono apresentam declínio cognitivo, falha na consolidação da memória, dificuldade em manter a atenção, o controle de impulsos fica reduzido, o risco de depressão e ansiedade aumenta muito. Isso, somado com a adolescência, só tende a piorar. Mas também tem ainda desregulação da fome, o que resulta em maior risco de obesidade e diabetes. Ainda tem uma resposta imunológica mais fraca, comprometimento do crescimento, pressão arterial elevada, desequilíbrio emocional. É uma bomba. Não é à toa que privação de sono é técnica de tortura […] Se isso fosse uma toxina ambiental, seria declarada uma emergência de saúde pública, mas, como é tecnologia, a gente aceita, o que é errado.”

De nada adianta, por outro lado, alegar a responsabilidade do usuário, de vez que o produto é projetado para ser viciante. “Essas empresas têm times inteiros de psicólogos e neurocientistas trabalhando junto com os designers para te manter acordado. E eles estão mirando nos adolescentes, que biologicamente têm menos controle de impulso. Por isso, sempre que possível, o melhor é deixar a molecada dormir sempre que puder.”