Após renúncia e polêmica com Trump, ex-diretor da BBC diz que rede britânica deve 'lutar' para defender seu jornalismo
11 de novembro de 2025
Nessa terça (11), ex-diretor-geral da BBC, Tim Davie, que renunciou no último domingo em decorrência da edição enganosa de um discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a emissora britânica precisa "lutar" para proteger seu jornalismo. A declaração ocorre um dia após o presidente americano ameaçar processar a emissora por US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões, com base na cotação atual).
"Acredito que precisamos lutar pelo nosso jornalismo", afirmou Tim Davie, durante uma videoconferência com a equipe do grupo audiovisual, conforme reportado pela BBC.
Trump ameaçou processar a BBC por US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões, na cotação atual) um dia após a renúncia de Davie. O grupo audiovisual se desculpou na segunda-feira, admitindo um "erro de julgamento" relacionado à edição de um discurso. Os advogados de Trump concederam até a noite da próxima sexta-feira para que o grupo remova o documentário que contém a edição e faça um pedido de desculpas.
Na terça-feira, o ex-diretor-geral admitiu que a emissora havia cometido "um erro" ao descumprir as normas editoriais da BBC, assumindo sua "parte de responsabilidade" ao renunciar.
Samir Shah, presidente da BBC, admitiu que a emissora não conduziu adequadamente uma investigação interna sobre o caso. No entanto, ele defendeu a BBC contra as acusações de que teria escondido informações ou não tomado providências para tratar as alegações de parcialidade, as quais, segundo ele, são "simplesmente falsas".
Shah escreveu uma carta à Caroline Dinenage, presidente da Comissão de Cultura e Mídia, na qual afirmou que a BBC recebeu mais de 500 queixas desde que o tema foi mencionado em um memorando crítico por um ex-assessor.
Ele afirmou ter "absoluta certeza de que a BBC deve defender a imparcialidade" e complementou: "Reconhecemos que a forma como o discurso foi editado deu a impressão de um apelo direto à violência".
A carta de Shah foi divulgada na segunda-feira, poucas horas após a renúncia do diretor-geral da BBC, Tim Davie, e da chefe de jornalismo, Deborah Turness, em decorrência do escândalo. O incidente chamou a atenção de Trump e levantou preocupações sobre possíveis retaliações contra jornalistas da BBC nos Estados Unidos. Na segunda-feira, Trump enviou uma mensagem à BBC ameaçando processá-la.
"Analisaremos a carta e responderemos diretamente em tempo oportuno", afirmou um porta-voz da BBC. As demissões de duas personalidades proeminentes da BBC aconteceram após dias de críticas da Casa Branca e de comentaristas conservadores no Reino Unido, impulsionadas por acusações presentes em um memorando vazado divulgado pelo Daily Telegraph.
Fontes
[editar | editar código]- ((pt)) Após renúncia e polêmica com Trump, ex-diretor da BBC diz que rede britânica deve 'lutar' para defender seu jornalismo — O Globo, 11 de novembro de 2025
- ((en)) BBC chair apologises for Trump speech edit but defends corporation against bias claims — The Guardian, 10 de novembro de 2025

