Após ataques na Ilha de Kharg, Irã ameaça terminais petrolíferos nos Emirados Árabes Unidos
15 de março de 2026
Nesse sábado (14), a Guarda Revolucionária Islâmica declarou que portos, docas e instalações militares associadas aos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos tornaram-se "alvos legítimos", em resposta aos ataques aéreos dos Estados Unidos na Ilha de Kharg, um terminal estratégico que representa aproximadamente 90% das exportações de petróleo bruto do Irã.
Washington foi acusado de utilizar essas instalações como base para ataques contra o Irã. Teerã também declarou que as exportações de petróleo da ilha seguem "em pleno andamento", apesar das ofensivas.
O anúncio foi seguido por episódios de tensão em vários países do Golfo e por relatos de um incêndio no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Essa instalação é uma das principais para armazenamento e comércio de petróleo no Oriente Médio, localizada a 120 km de Dubai. Autoridades informaram que o incêndio foi causado por destroços de um drone abatido pela defesa aérea e confirmaram que não houve vítimas. Como precaução, as operações de carregamento de petróleo e combustíveis no terminal foram interrompidas enquanto os danos estavam sendo avaliados.
O porto de Fujairah tem uma localização estratégica por estar situado no Golfo de Omã, fora do Estreito de Ormuz, que é o caminho de aproximadamente 20% do fornecimento global de energia fóssil. O terminal, ligado aos principais campos de petróleo de Abu Dhabi por meio de um oleoduto, possibilita que os Emirados exportem petróleo sem precisar da rota mais vulnerável do Golfo Pérsico. Caso o episódio seja confirmado como um ataque intencional das forças iranianas, isso indicaria que a República Islâmica pretende aumentar a pressão sobre o mercado global de energia e mostrar que a intensificação do conflito pode afetar infraestruturas vitais da região.
"A Guarda Revolucionária está enviando a mensagem de que não há porto seguro neste conflito que se expande rapidamente", afirmou Helima Croft, analista do banco de investimento global RBC Capital Markets, à agência Reuters, e que "o fato de isso ocorrer poucas horas após o ataque dos Estados Unidos à ilha de Kharg também indica que Teerã não permitirá que Washington controle os termos da escalada e imponha domínio".
Em comunicado divulgado pela agência iraniana Mehr, um porta-voz do quartel-general central Khatam al-Anbiya, encarregado de coordenar as operações do Exército iraniano e da Guarda Revolucionária, aconselhou os civis nos Emirados Árabes Unidos a evitarem as zonas portuárias e as bases militares americanas, consideradas "esconderijos dos Estados Unidos". O Irã tem atacado alvos nos Emirados Árabes Unidos, incluindo o aeroporto de Dubai, desde o começo do conflito em 28 de fevereiro.
Um dia após o Irã ter solicitado a evacuação dos portos e ameaçado, pela primeira vez, os bens de um país vizinho não americano, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos informaram à população que estavam trabalhando para interceptar os projéteis que se aproximavam.
O Ministério da Defesa da Arábia Saudita declarou que seus sistemas derrubaram e eliminaram 10 drones que sobrevoavam a capital, Riade, e a região oriental do país.
Desde o começo dos ataques do Irã, que resultaram na morte de duas pessoas no Bahrein e 24 em países vizinhos do Golfo, o reino declarou ter interceptado 125 mísseis e 203 drones.
Fontes
- ((pt)) Após ataques na Ilha de Kharg, Irã ameaça terminais petrolíferos nos Emirados Árabes Unidos — O Globo, 14 de março de 2026
- ((pt)) Irão responde à ameaça dos EUA a instalações petrolíferas com novos ataques a países do Golfo — Euronews, 15 de março de 2026


