Americanos assinalam 20 anos do 11 de Setembro, Presidente quer terminar uma era

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11 de setembro de 2021

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Agência VOA

Joe Biden falará nos três locais do ataque para marcar o que chama de "fim de uma era"

Os Estados Unidos assinalam neste sábado, 11 de Setembro, com homenagens e recordações, o 20º aniversário dos ataques mais horrendos contra o país, que mudaram a história recente da humanidade.

Os horrores do fatídico 11 de Setembro de 2001, desenrolaram-se em pouco menos de 102 minutos, no dia em que 2.996 pessoas morreram.

Seguiram-se 19 anos, 10 meses, três semanas e dois dias de guerra no Afeganistão, com o Departamento de Defesa a contabilizar a perda de, pelo menos, 2.325 militares americanos. Ninguém sabe exactamente quantos civis foram mortos.

No seu discurso de hoje, o Presidente Joe Biden vai tentar estabelecer um limite entre essas tragédias gémeas, prestando homenagem aos três locais, cujo sofrimento feroz incendiou a guerra mais longa da América.

Ontem, Biden divulgou um vídeo em que homenageia os mortos ou feridos nos ataques, suas famílias e aqueles que trabalharam para resgatar os sobreviventes. E ele pediu unidade nacional.


A “Guerra Global contra o Terror”, como foi chamada então, estendeu-se muito além do pequeno país da Ásia Central, o Afeganistão, alcançando o Iraque e outros cantos do globo tão distantes quanto alguns Estados africanos. No Iraque, o conflito matou quase 4.500 militares americanos e centenas de milhares de civis. - Joe Biden

Fim ou não de uma era

Desde a polémica decisão de retirar todas as tropas do Afeganistão até o final do passado mês de Agosto, a Administração Biden encetou uma série de medidas para colocar para trás esses 20 anos, ao desclassificar um tesouro de documentos que pode lançar luz sobre os acontecimentos do 11 de Setembro, ao mesmo tempo que mantém uma distância controlada do Governo teocrático do Talibã, que tomou o poder no Afeganistão após a saída dos americanos.

O Presidente Biden visitará hoje os três locais atacados: Nova Iorque, onde às 8h e 46 m daquela manhã ensolarada, o voo 11 da American Airlines colidiu com a torre norte do World Trade Center e, 17 minutos depois, o voo 175 da United Airlines atingiu a torre sul.

Visitantes no campo em Shanksville, no Estado da Pensilvânia, onde caiu o voo 93 da United Airlines

Ele também visitará o Pentágono, onde o voo 77 da American Airlines caiu 34 minutos depois.

Em separado, Biden e a vice-presidente Kamala Harris prestarão as suas homenagens no campo em Shanksville, no Estado da Pensilvânia, em que caiu o voo 93 da United Airlines.

É um roteiro, quase cinematográfico, dos últimos 20 anos, afirma o professor de história Jeremi Suri, da Universidade do Texas em Austin, em conversa com a VOA.

"O Presidente está a querer colocar um fim aos últimos 20 anos, e ele está a agir como um historiador, dizendo que encerramos uma era, assim como o fim da era da Segunda Guerra Mundial, e agora é hora de tomar novas decisões, assim como Harry Truman tomou novas decisões após a Segunda Guerra Mundial”, afirma Suri.

"Mas também veremos, como sempre fazemos, que uma era não termina quando uma nova era começa", acrescentou aquele históriador, para quem “estamos num momento diferente após as eleições de 2020 e num momento diferente com a ascensão da China”.

Jeremi Suri alerta que “muitas das questões de 20 anos atrás, ainda não tiveram um fim, para que se pareçam com os que estão nos nossos livros".

A vice-conselheira de Segurança Nacional, Elizabeth Sherwood-Randal, diz que o que importa, à medida que o mundo gira, duas décadas após 11 de Setembro, é que não houve outro grande ataque terrorista.

Desafio diferente

"Vinte anos depois, o nosso desafio é diferente", afirmou, Sherwood-Randall ao falar nesta semana no Atlantic Council, um centro de pesquisa de assuntos globais em Washington.

"Aprendemos desde o 11 de Setembro como proteger os americanos do terrorismo. Não é à prova de falhas e coisas horríveis ainda acontecem, mas, através de uma combinação de acções no exterior e em casa, até agora temos sido capazes de interromper e prevenir outro ataque no estilo do de 11 de Setembro", acrescentou.

Entretanto, o historiador da Universidade de Vanderbilt, Thomas Schwartz, prevê consequências além das comemorações do fim da era neste sábado.

"Provavelmente sou mais crítico nisso porque não acho que isso seja algo que se possa realmente fazer", afirma aquele historiador.

Para ele, “os inimigos, em certo sentido, têm um voto, e eles podem decidir que mesmo se quisermos terminar esta era depois de 20 anos, eles não o farão”.

“E, nesse sentido, acho que as palavras do Presidente Biden, e os actos, de marcar um dia para a retirada do Afeganistão foi um erro e um erro de julgamento que pode afectar os Estados Unidos nos próximos anos”, assevera aquele historiador.

Por outro lado, Norman Ornstein, pesquisador sénior do American Enterprise Institute, um grupo conservador de pesquisas de políticas públicas em Washington, aponta que nos seus discursos, o Presidente falará mas "as palavras não farão diferença neste momento".

"Obviamente, ele deve fazer um discurso cuidadosamente elaborado, creio que em parte dizendo que conseguimos, através de vários governos, evitar outro 11 de Setembro, conseguimos capturar e matar o homem que estava por trás disso, Osama bin Laden, que ainda não acabou e que cometemos muitos erros ao longo do caminho, e vamos tentar evitar cometer erros desse tipo no futuro", antevê Ornstein.

As pesquisas de opinião indicam que os americanos continuam a apoiar amplamente a decisão do Presidente de se retirar do Afeganistão mas também criticam Joe Biden sobre como seu Governo lidou com a evacuação.

Neste momento, ele regista o índice de popularidade mais baixo desde Janeiro, com o apoio de 43 por cento à sua gestão.

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