Alemanha já não pode mais bancar Estado de bem-estar social, diz premiê
24 de agosto de 2025
Nesse sábado (23), o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu a reforma do Estado de bem-estar social do país e rejeitou a ideia de aumentar os impostos para empresas de médio porte. Merz fez declarações durante um evento da União Democrata Cristã (CDU), seu partido, de que "não vou me deixar irritar por palavras como desmonte social e devastação" e "o Estado de bem-estar social, da forma como o temos hoje, já não é mais financiável com o que conseguimos produzir economicamente".
As declarações colocam o líder conservador em conflito com o Partido Social Democrata (SPD), do qual ele depende para governar, porém esse partido resiste a essa agenda.
Diante do aumento dos custos governamentais e do déficit nas contas públicas, CDU e SPD concordaram em reformar o sistema de seguridade social, que inclui o sistema público de saúde, aposentadorias e auxílio-desemprego, sendo majoritariamente financiado por impostos retidos da renda dos trabalhadores.
No entanto, ao contrário da CDU, os políticos do SPD propõem o aumento de impostos como forma de cobrir essas despesas. Ao se dirigir aos seus correligionários, Merz reconheceu que o SPD, que se inclina mais à esquerda e tem enfrentado uma queda no apoio popular desde que assumiu o governo, teria desafios para aceitar reduções nos gastos sociais. No entanto, ele convocou os dois partidos a colaborarem.
Simultaneamente, o chanceler federal enfatizou que seu governo não aplicará "nenhum aumento" nos impostos para empresas de médio porte, mesmo que alguns de seus colegas social-democratas "se alegrem em discutir aumento de impostos".
O chanceler defendeu uma revisão essencial do sistema de benefícios, uma vez que os custos continuam a aumentar, superando o recorde do ano anterior de € 47 bilhões.
A economia da Alemanha, que já foi a líder em exportações da Europa, sofreu uma desaceleração significativa desde 2017, com um crescimento do PIB de apenas 1,6% nesse período, em contraste com os 9,5% registrados no restante da zona do euro.
A economia alemã encolheu 0,2% no ano passado, após uma queda de 0,3% em 2023. Essa é a primeira vez desde o início dos anos 2000 que o país enfrenta uma recessão por dois anos seguidos.
A produção industrial diminuiu durante a coalizão de esquerda "semáforo" de Olaf Scholz e continua em declínio sob o novo governo, com uma queda de 0,3% no PIB no segundo trimestre de 2025.
Fontes
- ((pt)) Alemanha já não pode mais bancar Estado de bem-estar social, diz premiê — Folha de São Paulo, 24 de agosto de 2025
- ((en)) Welfare state is not sustainable, says German chancellor — The Telegraph, 24 de agosto de 2025


