Agência de Saúde dos Estados Unidos altera site e passa a publicar textos antivacina
21 de novembro de 2025
Nessa quarta (19), os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) atualizaram seu site com uma linguagem que contradiz sua posição anterior, fundamentada em evidências, de que as vacinas não provocam o transtorno do desenvolvimento conhecido como autismo. A agência de saúde dos Estados Unidos atualizou seu site oficial para refletir o ceticismo do secretário de saúde do governo Trump em relação às vacinas, revertendo anos de trabalho no combate à desinformação.
Anos de estudos mostram que não existe uma ligação causal entre vacinas e autismo ou outros transtornos do neurodesenvolvimento. Porém, Robert F. Kennedy Jr., o secretário de saúde dos Estados Unidos, tem promovido há bastante tempo alegações imprecisas que os conectam, e agora incorporou suas próprias opiniões em recomendações oficiais.
O site do CDC a respeito de vacinas e autismo declarava anteriormente que pesquisas indicam "nenhuma ligação entre receber vacinas e desenvolver um transtorno do espectro autista", referindo-se a um conjunto de estudos de alta qualidade, incluindo uma pesquisa de 2013 realizada pela própria agência.
Este texto representa o consenso médico e científico; no entanto, o site agora contém informações sem fundamento que afirmam que esses estudos não descartam a possibilidade de que as vacinas infantis possam causar autismo. O texto revisado critica as autoridades de saúde por desconsiderarem estudos que sustentam essa conexão e declara que o Departamento de Saúde começou uma análise completa das origens do autismo.
Alison Singer, presidente e cofundadora da Autism Science Foundation, afirmou na quinta-feira que essa linguagem é uma estratégia frequentemente utilizada para semear incertezas acerca da segurança das vacinas, e que "não se pode fazer um estudo científico para provar que algo não causa outra coisa".
"Tudo o que podemos fazer na comunidade científica é apontar para a preponderância das evidências, o número de estudos, o fato de que os estudos são tão conclusivos", afirmou Singer, e que "todos esses estudos concordam. Eles são muito claros e é hora de seguir em frente".
Singer afirmou que a maioria das evidências científicas indica que as vacinas não provocam autismo.
"Nenhum fator ambiental foi tão bem estudado como uma possível causa de autismo quanto as vacinas. Isso inclui os ingredientes das vacinas, bem como a resposta do corpo às vacinas", afirmou a Autism Science Foundation em um comunicado divulgado na quinta-feira. O Dr. Paul Offit está de acordo. Em uma postagem no Substack na quinta-feira, Offit, pediatra e diretor do Centro de Educação sobre Vacinas do Hospital Infantil da Filadélfia, declarou que estudos científicos "nunca podem provar que nunca".
Fontes
[editar | editar código]- ((pt)) Agência de Saúde dos EUA altera site e passa a publicar textos antivacina — O Globo, 20 de novembro de 2025
- ((en)) CDC website changed to include false claims that link autism and vaccines — CNN, 20 de novembro de 2025

