Acordo da COP30 tem avanços, mas decepciona em fósseis, avaliam ONGs
23 de novembro de 2025
A COP30, que terminou no último sábado, foi vencida pelo grupo de países emergentes e produtores de petróleo, que concordou em lidar com a emergência climática sem mencionar explicitamente a necessidade de abandonar os combustíveis fósseis.
Depois de duas semanas de negociações, a primeira COP da ONU na Amazônia conseguiu fazer com que quase 200 países chegassem a um consenso, mesmo em um momento em que o multilateralismo está instável, porém com o preço de diminuir suas metas.
O texto final defende que se deve acelerar a ação climática de maneira "voluntária" e aumentar em três vezes o financiamento para a adaptação climática das nações em desenvolvimento.
Aproximadamente 80 países, entre eles Colômbia, França e Espanha, se mobilizaram com o objetivo de criar um mapa para a transição do petróleo, carvão e gás. "A Colômbia se opõe a uma declaração da COP30 que não diga a verdade científica ao mundo", reagiu no X o presidente Gustavo Petro.
Por um lado, houve avanços na criação de um mecanismo de transição justa e em questões sociais. Por outro lado, o texto de mais uma conferência climática da ONU omite a menção aos combustíveis fósseis, que são responsáveis por aproximadamente 80% dos gases de efeito estufa que contribuem para o aquecimento global.
Afra Balazina, diretora de mobilização da ONG SOS Mata Atlântica, afirma: "Os cientistas tiveram pela primeira vez um pavilhão na COP, mas suas recomendações para manter o mundo dentro do limite de 1,5°C em relação ao período pré-industrial não foram incorporadas ao texto final" e "a urgência e a ambição necessárias para enfrentar a crise climática simplesmente não aparecem nas decisões aprovadas".
De acordo com Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, nesta COP, que celebra a década do Acordo de Paris, os países tinham o dever de apresentar uma resposta convincente para a enorme discrepância entre as promessas climáticas e o que realmente é necessário para cumprir o acordo.
"Mas não chega lá. Reconhece o problema, cria processos, aponta caminhos, mas não oferece o salto político que a ciência exige para [a meta de conter o aquecimento global em] 1,5°C seguir viva", afirma ela.
A proposta de criar um plano para a redução da dependência de combustíveis fósseis foi excluída da Decisão de Mutirão, documento central do Pacote Político de Belém. Em seu lugar, surgiu uma proposta da liderança da COP30: desenvolver, por iniciativa própria — sem a exigência de serem aceitos pelos outros países — planos para a diminuição do uso de combustíveis fósseis e do desmatamento.
Fontes
[editar | editar código]- ((pt)) COP30 se contenta com acordo que omite abandono das energias fósseis — Folha de Pernambuco, 22 de novembro de 2025
- ((pt)) Acordo da COP30 tem avanços, mas decepciona em fósseis, avaliam ONGs — Folha de São Paulo, 22 de novembro de 2025

