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A história pode ser reescrita, segundo um novo estudo, quando Napoleão tentou invadir e conquistar o Império Russo

De Wikinotícias

2 de fevereiro de 2026

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No verão de 1812, o imperador francês Napoleão Bonaparte liderou quase meio milhão de soldados para invadir o Império Russo. Em dezembro, apenas uma fração do exército permanecia viva. Registros históricos há muito sugerem que a fome, as temperaturas de congelamento e o tifo causaram sua queda.

Em um novo estudo publicado na Cell Press Current Biology, uma equipe de pesquisadores de paleogenômica microbiana extraiu DNA dos dentes dos soldados e não encontrou vestígios de tifo. Em vez disso, identificaram dois patógenos conhecidos por causar febre entérica e febre recurrente, doenças que provavelmente contribuíram para o colapso do exército. "É muito empolgante usar tecnologia moderna para detectar e diagnosticar algo que está enterrado há 200 anos", diz o autor principal, Dr. Nicolas Rassovan, do Institut Pasteur na França.

Por séculos, historiadores debateram os fatores por trás do colapso do exército de Napoleão. Relatos de médicos e oficiais do exército sugeriam que o tifo, uma doença infecciosa comum nos exércitos da época, era a causa mais provável. A descoberta de piolhos corporais, o principal vetor do tifo, nos restos mortais dos soldados de Napoleão, junto com DNA da Rickettsia prowazekii, a bactéria responsável pelo tifo, reforçou ainda mais essa crença.

Usando nova tecnologia capaz de analisar DNA antigo, Rascovan e sua equipe partiram para reanalisar amostras de soldados napoleônicos caídos para determinar se a febre tifóide era realmente responsável. Os pesquisadores extraíram e sequenciaram DNA dos dentes de 13 soldados enterrados em uma vala comum em Vilnius, Lituânia, localizada ao longo da rota de retirada do exército francês da Rússia. Em seguida, removeram a contaminação ambiental para isolar e identificar fragmentos de DNA de patógenos bacterianos.

Em vez de patógenos do tifo, a equipe encontrou vestígios de Salmonella enterica, que causa febre entérica, e Borrelia recurrente, responsável pela febre recurrente, que também é transmitida por piolhos corporais.

Os pesquisadores não detectaram Rickettsia prowazekii nem Bartonella quintana, que causam febre das trincheiras e que haviam sido identificadas em estudos anteriores com diferentes soldados do mesmo local. Segundo Rascovan, essa discrepância pode ser explicada pelo uso de diferentes tecnologias de sequenciamento. Estudos anteriores baseavam-se na reação em cadeia da polimerase, um método que amplifica segmentos específicos de DNA a partir de material inicial limitado.

O DNA antigo é frequentemente altamente degradado em fragmentos pequenos demais para que a reação em cadeia da polimerase funcione efetivamente. O método mais novo permite que os pesquisadores capturem uma gama muito maior de fontes de DNA a partir dessas sequências antigas muito curtas, explica o Dr. Rascovan.

Para surpresa da equipe, eles também descobriram que a cepa de Borrelia recurrentis encontrada nos soldados de Napoleão pertencia à mesma linhagem previamente identificada na Grã-Bretanha da Idade do Ferro, 2.000 anos antes. Essa linhagem parece ter persistido na Europa por milênios, embora todas as linhagens modernas sequenciadas até hoje pertençam a uma linhagem diferente.

"Isso demonstra o poder da tecnologia antiga do DNA para desvendar a história das doenças infecciosas de maneiras que seriam impossíveis apenas com amostras modernas", diz o Dr. Rascovan.

Fontes