"Estamos num Estado altamente totalitário", diz director da Omunga após polícia impedir conferência em Cabinda

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22 de maio de 2022

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Agência VOA

Cabinda —  “Em Cabinda não há paz” e “estamos num Estado altamente autoritário”, foi como João Mavindele, diretor-executivo da organização não governamental Omunga reagiu após um contingente policial bem armado ter impedido neste sábado, 21, a realização de uma conferência prevista para acontece em Cabinda.

A “Conferência de reflexão sobre a paz em Cabinda", organizada pela Omunga e pela Associação para Desenvolvimento da Cultura dos Direitos Humanos (ADCDH), foi anunciada há muito tempo e adiada para que os organizadores pudessem reunir as condições legais para o evento que teria como oradores o padre Celestino Epalanga, o pastor Ntoni a Nzinga, o advogado e activista Arão Tempo e o secretário-geral da Frente Consensual Cabindesa, Belchior Tati.

A polícia cercou o local antes do início do evento e impediu a entrada dos participantes, alguns deles provenientes de outras províncias.

“Não é concebível, em pleno século XXI, depois de tanta luta, não é concebível que situações como estas estejam a passar, é a segunda vez que esta atividade é cancelada”, afirmou João Mavindele num vídeo divulgado na página da Omunga no Facebook.

O responsável daquela associação cívica acrescentou não entender que tenha de pedir autorização para realizar uma conferência num lugar privado.

“Temos de pensar, de retificar alguma coisa na nossa Constituição, de democracia não temos nada, estamos num Estado altamente autoritário, não preciso de autorização para uma conferência num espaço privado”, acrescentou Mavindele, lembrando que a “conferência não é perigo, apenas pessoas que queriam discutir sobre direitos humanos em Cabinda neste contexto de paz”.

O ativista reiterou que “não é possível falar de paz em Cabinda, em Cabinda não há paz” e denunciou ter sofrido “pressão das autoridades”, desde que chegou a Cabinda através de “telefonemas”.

“Devemos pensar muito bem, a situação de Cabinda é bastante preocupante”, concluiu o diretor-executivo da Omunga. A VOA não conseguiu ainda qualquer reação das autoridades.

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