"Dia de Fúria", convocado pelo Hamás contra Israel, termina com 4 palestinos mortos

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Agência Brasil

16 de outubro de 2015

O Dia de Fúria contra Israel convocado pelo grupo fundamentalista muçulmano Hamás para esta sexta-feira (16) terminou com pelo menos quatro palestinos mortos. Dois deles morreram durante confrontos com o Exército israelense na passagem de Erez e nos arredores de Nahal Oz, ao Norte da Faixa de Gaza, região que é comandada pela facção islâmica desde 2007. Além disso, mais de 100 pessoas ficaram feridas.

Em diversas áreas do território palestino, manifestantes tentaram cruzar a fronteira com Israel, mas foram duramente repelidos pelas forças de segurança. As outras duas vítimas foram registradas na Cisjordânia. Primeiro, um homem vestido de fotógrafo apunhalou um jovem israelense em Hebron e foi morto pela polícia.

Já durante a noite, Ihab Hanani, de 19 anos ferido em confrontos com o Exército perto da cidade de Beit Furik, morreu em um hospital de Nablus.

Mais cedo, nesta mesma localidade, dezenas de palestinos haviam incendiado o túmulo de José, local considerado sagrado pelos judeus (mas que também por cristãos e muçulmanos). O próprio presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, condenou o ataque, chamando-o de "irresponsável" (ver Incêndio).

Esses episódios aumentaram ainda mais a tensão no Oriente Médio, em meio aos temores de uma nova Intifada (revolta) palestina contra os israelenses.

"Israel tem o direito de se defender e de proteger seus cidadãos, e os palestinos têm o direito de perseguir suas legítimas aspirações. Ambas as partes devem parar com a retórica, abaixar o tom e começar a resolver os problemas", disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante uma coletiva de imprensa ao lado da sua colega sul-coreana, Park Geun-hye.

Incêndio

Um grupo de palestinos ateou fogo ao Túmulo de José, na cidade de Nablus, no Norte do território palestino ocupado da Cisjordânia, informou o Exército israelense.

“Ao longo da noite, dezenas de palestinos atearam fogo ao Túmulo de José, em Nablus. Forças palestinas chegaram ao local, extinguiram as chamas e dispersaram os autores do incêndio. O Exército israelense fará as reparações necessárias para permitir aos fiéis visitarem o lugar sagrado”, diz um comunicado militar.

O porta-voz do Exército, Peter Lerner, acrescentou que “a queima e a profanação do Túmulo de José é uma flagrante violação e uma contradição do valor básico da liberdade de culto”.

“As Forças de Defesa de Israel tomarão todas as medidas para levar os autores desse depreciável ato à Justiça, restaurar o lugar para que volte à condição prévia e garantir que a liberdade de culto seja restabelecida”, destacou Lerner.

O túmulo do patriarca José é venerado há séculos por cristãos, judeus e muçulmanos.

O Exército israelense retirou-se do local no início da Segunda Intifada (em setembro de 2000), que desde então ficou sob a responsabilidade da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O mausoléu encontra-se na Zona A, onde a ANP tem pleno controle administrativo e de segurança, de acordo com a divisão territorial estabelecida nos Acordos de Oslo de 1993.

Contudo, o Exército israelense supervisiona em coordenação com a ANP o acesso de fiéis judeus que pretendem orar no local onde se venera o bíblico patriarca mencionado no Antigo Testamento, cujas visitas são vistas por muitos palestinos como provocação.

Segundo o jornal Haaretz, o ataque ocorreu quando centenas de jovens palestinos lançaram coquetéis-molotov e colocaram materiais inflamáveis no túmulo.

Trata-se do primeiro incidente violento da “sexta-feira da revolta”, organizada por palestinos para que a população manifeste e crie distúrbios. Estão previstos protestos para a Cisjordânia e Faixa de Gaza após a grande oração semanal muçulmana.

ONU

O aumento da violência entre israelenses e palestinos levou o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) a promover um debate aberto hoje. O secretário-geral assistente de Assuntos Políticos da ONU participa do encontro e afirmou estar "extremamente preocupado" com a situação na Cisjordânia e em Gaza.

Tayé Brook Zerihoun citou episódios ocorridos nesta sexta-feira na Cisjordânia, quando palestinos incendiaram uma área onde está localizada a tumba de José.

O representante condenou o ataque, pediu que os responsáveis sejam levados à Justiça e a todos envolvidos no conflito que respeitem os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém.

Zerihoun também citou casos de israelenses esfaqueados e de palestinos mortos pelas forças de segurança de Israel. Segundo ele, até ontem (15), sete israelenses e 32 palestinos tinham sido assassinados. E desde 1º de outubro, mais de 120 israelenses e 1,1 mil palestinos foram feridos.

Na avaliação do representante da ONU, o impacto das mídias sociais e a "retórica irresponsável" têm tido um papel "dramático para a escalada do conflito".

Zerihoun disse que tanto israelenses quanto palestinos são culpados pela situação, mas ele nota os esforços dos líderes de governo, que estariam diminuindo o tom de seus discursos.

Para o secretário-geral assistente, está claro que a atual crise "não pode ser resolvida somente com medidas de segurança". Zerihoun afirmou ser essencial acabar com a ocupação, demolições de propriedades e assentamentos e citou que a falta de perspectiva sobre a criação de um Estado Palestino também agrava a situação.

Histórico

A região enfrenta uma onda de violência há 15 dias que já resultou na morte de 33 palestinos e sete israelenses, na série de atentados, na maioria de palestinos contra israelenses.

A onda de violência em Israel e nos territórios palestinos nas últimas duas semanas aumentado o receio de um terceiro levantamento popular palestino, depois dos de 1987-1993 e 2000-2005, que causaram milhares de mortos.

Fontes

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