Rússia e China vetam resolução sobre a Siria no Conselho de Segurança da ONU

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Agência Brasil

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4 de fevereiro de 2012

Estados Unidos — Tal e como anunciaram semanas atrás, Rússia e China haviam vetado hoje, pela segunda vez, a resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para tentar encerrar a crise na Síria.

A proposta de resolução dava apoio ao plano de paz da Liga Árabe e pedia a renúncia do presidente sírio, Bashar Al Assad e cesse dos ataques à civis, em meio a onda de violência que matou mais de 400 pessoas em Homs e Hama em 24 horas (entre 3 a 4 de fevereiro).

A votação ocorreu apenas horas depois dos ativistas acusarem as forças de segurança da Síria de fazerem um dos piores ataques desde o início dos protestos no país há 11 meses e as rebeliões na cidade, onde matou pelo menos 55 pessoas em Homs em poucas horas atrás.

Rússia e China se opuseram rotundamente à resolução que incluía a renúncia do presidente Assad e assim como a intervenção militar estrangeira igual na Líbia.

No caso Líbia, em meio dos maiores protestos contra Regime Kadafi, entre final de janeiro e início de fevereiro do ano passado, realizados pelos civis convocados nas principais cidades líbias, dias antes através da internet (entre eles os sites, de vídeo YouTube, micro-blogging Twitter e de relacionamentos Facebook), inspirados protestos semelhantes nos vizinhos Egito e Tunísia que derrubaram pacificamente os ditadores em diferenças de semanas, apesar de mortes, feridos e presos.

No entanto, foram reprimidos com muita violência pela polícia com dezenas de presos e mortos. Quando alguns policiais se recusaram a reprimir os protestos, Kadafi ordenou soldados do Exército líbio a fazerem o mesmo, mas diversos soldados se desertaram.

Os policiais e soldados no oeste e leste do país que se recusaram acatar ordem e decidir desertar para ficar do lado da população, iniciaram insureição armada que gerou a guerra civil para enfrentar forças repressoras em março. As reações internacionais foram quase imediatas contra a violência, que até alguns aliados de Kadafi dentro e fora da Líbia, foram do lado da oposição, que por vez formaram Conselho Nacional de Transição.

Quando Kadafi estava quase vencer a revolta armada com ofensiva terrestre e bombardeios aéreo e marinho contra cidades (pois a força aérea bombadeava cidades líbias em poder dos militares desertores e população que pegou as armas), a ONU aprovou por ampla maioria e sem veto das cinco integrantes permanecentes, para fazer possível pra proteger civis no leste e oeste do país com exclusão aérea com cessar-fogo.

Porém, Kadafi não acatou as ordens da ONU e aviões da OTAN iniciaram bombardeios contra alvos do regime, iniciando guerra até outubro, que terminou com a queda e a morte ditador Kadafi após 42 anos de poder.

Barack Obama[editar]

Mais cedo, em uma declaração difundida pela imprensa este sábado minutos antes da votação, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, descreveu a violência na cidade síria como um ataque horrível e pediu ao Al Assad dar um passo atrás para deter os ataques contra os civis e que renuncie imediatamente.

O presidente Obama sinalizou que os 30 anos depois de que o pai do governante sírio (Hafez al-Assad) massacrou dezenas de milhares de inocentes homens, mulheres e crianças, o presidente "Bashar al Assad mostrou já demostrou similar desdém pela dignidade e a vida humanas.", disse.

Depois de mencionar os protestos pacíficos que tiveram efeito à véspera na Síria e as que segundo ativistas as forças do regime mataram mais de 200 pessoas, Obama disse que "A comunidade internacional deve trabalhar para proteger o povo sírio desta horrenda brutalidade" e advogou por apoiar a resolução da ONU, que contava com o respaldo da Liga Árabe.

Assad não tem direito de dirigir a Síria e já perdeu toda a legitimidade com seu povo e com a comunidade internacional.

Barack Obama

Votação[editar]

A Rússia e a China votaram em veto à resolução do Conselho de Segurança da ONU. Era segunda vez que ambos países vetaram a resolução sobre a Síria. A primeira foi em dezembro do ano passado.

O motivo principal segundo chanceler[nota 1] russo Sergei Lavrov, foi que não estava convencido com a última versão e não se aplicaram as mudanças que os russos pediram para aceitar a resolução.

Reações[editar]

O Conselho de Segurança não pode assumir a responsabilidade pelo que está a suceder na Síria. Projeto de resolução não continham sanções ou um embargo de armas.

Embaixador da Alemanha

É um dia triste no Conselho de Segurança para a continuação dos assassinatos na Síria.

Embaixador de Portugal

Apesar das exigências do presidente Obama e outros líderes mundiais para dar solução à crise que se vive na Síria, Rússia e China foram os dois únicos membros permanentes do Conselho opostos à resolução, respaldada por os outros 13 integrantes do organismo, incluindos a Grã-Bretanha e França.

Apesar do veto, França informou que seguirá aplicando sanções à Síria.

O embaixador dos Estados Unidos declarou estar muito desgostado com China e Rússia por haver vetado a resolução. Colômbia, Índia e Guatemala haviam aceitado a resolução.

O embaixador do Reino Unido informou que "Londres está angustiada contra o voto de uma resolução que condena a repressão do regime sírio.".

Por sua parte, a Tunísia expulsou o embaixador da Síria e disse que reconhece o Conselho Nacional da Síria (CNS).

Apesar das alarmantes notícias de que 10 meses de revoltas os mortos somam milhares e que nas últimas horas se havia recrudecido a repressão, o veto da Rússia e China deixa o regime sírio deixa mãos livres para continuar massacrando a população sem que o mundo haja nada por imperdir-lo.

Durante dias, diplomatas árabes, europeus e estadounidenses lhe deram voltas e voltas a um projeto de resolução que fosse aceitável para a Rússia, mas nem mesmo rebaixando-le o tom das condenação eles conseguiram.

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse que Washington estava "indignada" com o resultado da votação no Conselho de Segurança, enquanto o embaixador francês, Gerard Araud, sinalizou que Rússia e China "haviam-se sido cúmplices da política de repressão levada a cabo pelo regime de Assad" e disse que "a história não terá pieade" com eles.

Histórico[editar]

Lavrov já havia dito por diversas vezes, desde ano passado, que Moscou vetaria a resolução porque ele havia demasiadas concessões aos grupos armados (militares que se passaram ao lado da população) e que a Rússia lhe seguia preocupada que o documento poderia condicionar os resultados de um diálogo político na Síria.

Rússia, um velho aliado político, militar e estratégico de Síria e principal fornecedor de armas do governo de Damasco, se opôs desde o início a qualquer pedido de renúncia ao Assad, não apoiou a adoção de sanções contra seu governo e nem siquera respaldou o plano da Liga Árabe em busca de facilitar uma transição política pacífica no país.


Nota[editar]

  1. A palavra "chanceler" existe em Brasil e Portugal, com diferenças: No Brasil, o termo é equivalente ao "Ministro de Relações Exteriores". Já em Portugal, o termo é equivalente ao "Ministro dos Negócios Estrangeiros".

Fontes[editar]

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