Agências humanitárias internacionais expressam preocupação com o conflito Israel-Hizbollah
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21 de julho de 2006
As organizações humanitárias internacionais e de direitos humanos demonstraram preocupação com o crescente número de vítimas e a crise humanitária advinda do conflito contínuo na região norte do Líbano entre Israel e o Hizbollah. Elas também advertiram aos dois grupos em guerra que as condutas deles talvez não estejam em acordo com as leis internacionais sobre segurança de civis em áreas de combate.
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Declaração da UNCHR
A alto-comissária de Direitos Humanos das Nações Unidas, Louise Arbour, demonstrou grande preocupação sobre o número cada vez maior de vítimas no Líbano, em Israel e nos territórios palestinos ocupados. Numa declaração dada na quarta-feira ele pediu para que sejam responsabilizados aqueles que violarem qualquer brecha das leis internacionais.
Segundo sua declaração, o bombardeio indiscriminado de cidades e os ataques a supostos sítios militares onde se prevê a morte de civis é inaceitável e injustificável. Ela pediu também para que fosse respeitado o princípio da proporcionalidade na reação à ação inimiga.
A declaração lembrou as duas partes do conflito que a obrigação de proteger civis durante uma hostilidade é expressa na lei criminal internacional, e avisou que a escalada e a previsibilidade das matanças na região podem resultar em responsabilidade criminal pessoal para os implicados, especialmente para aqueles em posições de comando.
A alta-comissária advertiu ainda sobre a situação humanitária deteriorante, especialmente no sul do Líbano, onde grande número de pessoas, segundo se informa, está cada vez mais privado do acesso a serviços básicos, além de essas pessoas serem obrigadas a mudar de lugar. Ela pediu passagem irrestrita e segura para toda ajuda humanitária.
A avaliação da Cruz Vermelha
Em uma nota para a imprensa em Genebra, Pierre Krähenbühl, que é diretor de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), fez a avaliação do órgão sobre a situação.
Ele disse que o grande número de baixas entre civis e danos à infraestrutura "levanta dúvidas sérias" sobre a vontade de se respeitar o princípio da proporcionalidade em operações de combate.
Na nota, ele citou as cifras aproximadas de 230 mortos e 600 feridos no Líbano, e 13 civis mortos e outros 150 feridos em Israel.
Ele disse que a ajuda médica e a evacuação para aqueles em necessidade estão severamente limitadas pela hostilidade contínua e que a segurança da missão médica é "profundamente problemática". Ele lembrou que grande números de pessoas está abandonando as zonas de conflito.
Ele convidou Israel a permitir que comida e outras provisões essenciais possam passar pelo bloqueio aéreo e marítimo imposto ao Líbano e assim poder chegar até a população civil necessitada.
Ele afirmou que a Cruz Vermelha lembrou as duas partes em conflito, tanto em público quanto em privado, da obrigação de distinguir-se entre civis e alvos militares, obrigação de respeitar o princípio da proporcionalidade, proteger os serviços de assistência médica, poupar civis e garantir a todos o acesso seguro à ajuda médica.
Representações foram feitas junto a Israel com o Ministério de Relações Exteriores e Comando do Exército, no Líbano com o seu primeiro-ministro e também com o Hizbollah, com o qual a Cruz Vermelha tem contato.
Human Rights Watch
A Humans Rights Watch advertiu o Hizbollah sobre atacar alvos civis em Israel e convidou Israel a permitir a entrada segura de comboios de ajuda no Líbano.
Numa nota de imprensa, o grupo de direitos humanos disse que os ataques com foguetes do Hizbollah ocorridos no domingo e na segunda-feira foram "na melhor das hipóteses, ataques intencionais em áreas civis, e na pior das hipóteses ataque deliberado contra civis". Disse que o Hizbollah cometeu sérias violações contra a lei humanitária internacional além de " prováveis crimes de guerra". Os foguetes lançados contra Haifa nos dois últimos dias continham centenas de bola metálicas que são de uso exclusivo para alvos militares, e que causam grandes danos a civis e a suas propriedades, acrescentou a nota.
A nota também disse que as cidades da fronteira do Líbano já enfrentam séria falta de comida e remédios, e estão em necessidade urgente de provisões. Ela pediu a passagem segura de comboios de ajuda, depois de lembrar que um comboio de ajuda foi atacado com mísseis, segundo informou a Sociedade Vermelho Crescente dos Emirados Árabes Unidos. De acordo com esta última, um comboio que foi claramente marcado como de ação de emergência, que continha provisões médicas e remédios e era formado por várias ambulâncias, mesmo assim foi atacado e pelo menos uma pessoa morreu.
Anistia Internacional
A Anistia Internacional convidou o Conselho de Segurança das Nações Unidas a fazer uma reunião de emergência para adotar medidas para proteger civis pegos no meio do crescente conflito entre Israel e Líbano. Ela alegou que os estados membros do G8, durante a cúpula recentemente concluída, nas suas discussões sobre o conflito falharam em "colocar a proteção de civis acima da política". A Anistia condenou a continuação dos ataques contra civis tanto por Israel quanto pelo Hizbollah.
Respostas de Israel e Hizbollah
Um funcionário israelense disse à BBC: "sentimos que a proporcionalidade deve ser julgada em termos da ameaça que enfrentamos. Esta não é apenas uma questão de seqüestros. O Hizbollah tem um enorme arsenal e disparou mil mísseis contra nós. Estamos agindo em legítima defesa". Ele também disse que o Hizbollah muitas vezes se esconde em áreas civis, mas que o Israel despejou de avião avisos para os civis partirem antes de um ataque.
Hizbollah disse que os soldados israelenses capturados servem para ser usados como "troca" com Israel e que os ataques com foguetes é uma retaliação para o ataque israelense contra o Líbano e os seus civis. O xeique Hassan Nasrallah, o líder de Hezbollah, disse: "quando os sionistas se comportam como se não houvesse nenhuma regra, e nenhuma linha vermelha, e nenhum limite de confrontação, é nosso direito comportar-se do mesmo modo."
Fontes
- High Commissioner for Human Rights calls for protection of civilians and accountability in latest mideast crisis United Nations July 19, 2006
- UN: Security Council must adopt urgent measures to protect civilians in Israel-Lebanon conflict Amnesty International July 18, 2006
- Richard Waddington and Robert Evans U.N. rights head sees possible Mideast war crimes Reuters Jul 19, 2006
- Middle East: press briefing with Pierre Krähenbühl, ICRC director of operations International Committee of the Red Cross 19 July 2006
- Lebanon: Hezbollah Rocket Attacks on Haifa Designed to Kill Civilians Human Rights Watch July 18, 2006
- Lebanon/Israel: Israel Must Provide Safe Passage to Relief Convoys Human Rights Watch July 20, 2006
- Paul Reynolds Q&A: Mid-East war crimes? BBC News July 20, 2006
- Atualizado em 10 de setembro de 2006 . Para maiores informações veja o histórico.